1- Introdução: dos preparativos e da meta
O nosso grupo tem estudado a região escravagista do Bracuhy há mais de 30 anos.
Há ancestralidade pessoal envolvida, pois os Ramos , família antiga da região , tem registros de pertencer provavelmente ao Pedro Ramos , afilhado do Joaquim de Souza Breves, grande latifundiário do século XIX e traficante de escravos.
Vídeo: contingentes chegando de um navio traficante...
Como parte do nosso Estudo interno fizemos no dia 12 de setembro de 2022, 2023 e depois em setembro de 2025 uma prospecção em campo para mapeamento do circuito da dita "diáspora africana" e estivemos no sítio arqueológico da Praça dos Namorados ou igreja do outeiro, dentro do bairro Porto Bracuhy.
Fizemos as medições arquitetônicas, as coordenadas geográficas e tomada de fotos , para identificação e registro pós-expedição.
Guiados pelo ativista ambiental, trilheiro e morador Ivan Neves, que sabe toda a oralidade e acompanhou pessoalmente alguns momentos da transformação da área durante anos, pudemos traçar o perfil de uso provável e a dinâmica antropológica do espaço.
Em 2023 tivemos a presença do Valnei Albino, nosso membro efetivo, Agnes Ethel também membro efetivo e Maria Célia, vice Presidente.
2-Caracterização do espaço arqueológico
Ele fica localizado numa elevação e cercado de planícies. A mais ou menos 1km ficam as margens do rio Bracuhy e hoje com bairros em volta, possivelmente era cercado de manguezais e alagadiços.
O topo da colina mede no máximo 300 x 200m .
As ruínas estão próximas do declive a oeste do topo do morro.
As construções pesquisadas demonstram pelas técnicas construtivas ter base no século XVIII pois com altura de 1m, a partir do solo compactado, o arrimo foi montado com fôrma rudimentar por blocos lavrados apenas de um ou dois lados, sendo disformes e variados no recheio do muro/piso-base de rochas provavelmente locais e lajotas maiores e mai trabalhadas no que seria o piso , com sobreposição sem qualquer massa visível de junção, não identificamos nem mesmo as peças menores que normalmente são embutidas entre as peças maiores, que chamamos de canjicado.
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| Média das peças lavradas do estrato rochoso: |
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| Visão do arrimo/base. |
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| Visão geral |
O perímetro é formado por uma base retangular medindo 20m x 60m aprox. e uma segunda base retangular, mais alta, medindo 12m x 56m aprox., esta sendo o piso da construção de uso .
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| colunas |
A base maior tem marcas sulcadas na pedra de 10 x 10 , resquício da do encaixe de uma colunata, ou seja , um alpendre; porém apenas ao longo da calçada direita , que está para o lado do grande pátio de chão batido (nordeste) .
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| sulcos na rocha:base de alpendre? |
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| Reconstituição |
Também registramos as últimas colunas eretas do conjunto arquitetônico, na parte interna do segundo retângulo e no número total de 8. Seu material é misto, incluindo blocos grandes de pedra irregulares como estrutura principal mas também cacos de telha, tijolos de adobe e até cimento moderno, o que indica uma tentativa de restauro ou manutenção recente. Essas colunas medem igualmente 0,80 m cada lado. O espaçamento entre as colunas no cumprimento retangular, ou seja, retilíneas, é de 4,40 m e na altura , ou seja , entre a colunata de cada lado , 5,10m.
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| tijolos de adobe |
Há ainda um altar em forma de capela e uma mesa de alvenaria, modernos, por isso o uso popular nomeando o local como "igreja do outeiro", sao feitos de tijolo tipo "baiano" e massa química de cimento .
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| Altar e oratório |
Um ponto importante foi a presença de piso hidráulico historicamente usado no início do século XX.
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| Tubulações |
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| Escoamento: de metal |
Sob essa moldura , há tubulações metálicas de cobre ou ferro fundido embutidas na base original do século XVIII/XIX o que pode demonstrar uso de moradia ou misto por um tempo, com escoamento hidráulico.
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| piso hidráulico, início do século XX |
A dita capela deve ter sido usada nos anos 1980/90 pelo desgaste do material.
Relatos também indicam que até mesmo, isso já na década de 1990/2000 serviu como boate/danceteria.
Digno de nota , é a presença de grande espécime de pedra com um vão oval esculpido nela , como se fosse a base de uma pia batismal.
Assim, pudemos arriscar uma datação de uso em:
1° período- final do século XVIII e 1° metade do século XIX.
2° período- início do século XX
3° período- década de 70/80
4° período- Década de 90/2000.
3- Da reconstituição do teatro antropológico
Através de aplicativos de base de software de ML, optamos em fazer duas reconstruções teóricas daquele patrimônio edificado.
Assim, apresentamos dois usos. Um religioso e um administrativo:
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| Uso religioso |
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| Uso administrativo escravagista |
Reconstituições teóricas:
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| Visão geral, com colina cercada de alagadiços e mangues. |
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| Pátio para grande fluxo de animais ou pessoas, do tipo "plaza" espanhola nas Américas. |
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| Alpendre com colunata (podendo ser de madeira) |
4- Conclusões
5-Epílogo
O contexto do conjunto esparso dos diversos sítios arqueo-históricos da região envolvendo Bracuhy, Itanema, Santa Rita , Ariró , Kitumbo e Praia do Recife está sendo alinhavado com pesquisa de campo, hemeroteca, etc e tradição oral. Formando um só conhecimento da dinâmica do capital e das relações.
Prof.Lic.Hs.
Pres.IPHAR






















