quinta-feira, 28 de maio de 2026

*FÉ POPULAR , BENZEDURAS, PROTOMEDICINA* E OS BIOMAS DO BRASIL


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1-Benzedeiras brasileiras*

As benzedeiras são guardiãs de um saber popular ancestral. Misturam fé católica, uso de plantas medicinais e oralidade pra cuidar da saúde física e espiritual das pessoas. 

Quem são: Geralmente mulheres mais velhas, mas a tradição passa pra filhas e netas. São chamadas de Dona, Vó, Tia. Não cobram pelo benzimento. O pagamento é a fé, uma vela, café ou a gratidão.

*Como benzem*: Usam rezas, sinal da cruz, ramos de arruda, guiné, alecrim ou espinheira-santa. Cada erva tem função: mau-olhado, cobreiro, espinhela caída, susto. Muitas têm altares em casa com santos, terços e copo d’água.

*Onde estão*: Presentes no Brasil inteiro, mas muito fortes no interior, zonas rurais e comunidades caiçaras da Mata Atlântica. Na Ilha Grande, no Vale do Ribeira, no sertão. Cada região tem suas ervas e rezas próprias.

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*Importância hoje*: São patrimônio cultural vivo. Acolhem quando o posto de saúde é longe ou quando a doença é “da alma”. Mantêm viva a relação com a Mata Atlântica e o conhecimento sobre plantas nativas. 

A benzeção é gratuita, é fé, é escuta e é colo. Resiste no tempo porque cuida do que remédio nenhum alcança.

 


Entre praias de mar turquesa e trilhas da Mata Atlântica, a Ilha Grande guarda um tesouro cultural: as benzedeiras.


2- Herança cultural e reprodução 

*Quem são elas*  

Mulheres caiçaras que herdaram das avós o dom de curar com fé e plantas. De vestido florido, terço no pescoço e maço de ervas na mão, elas benzem contra mau-olhado, susto e cobreiro. Não cobram nada: o pagamento é um café, uma vela ou um “Deus lhe pague”.

*O saber da floresta*  

Elas conhecem a Mata Atlântica como ninguém. Usam espinheira-santa, marcela, guaçatonga e erva-baleeira colhidas nos morros da ilha. Cada reza, cada ramo, carrega a sabedoria de gerações que viveram em harmonia com esse bioma.



*Onde encontrar*  

Algumas vivem nas vilas como Abraão, Araçatiba e Aventureiro. Suas casas simples têm altar com santos, uma Bíblia e janela aberta pro mar. Algumas recebem visitantes pra uma prosa e um benzimento, mantendo viva a cultura caiçara.

*Por que importa?*  

Visitar uma benzedeira é conhecer a alma da Ilha Grande. É entender que a ilha não é só praia: é também acolhimento, fé e tradição. Um turismo que valoriza quem cuida da história e da natureza daqui.


Como está a atualidade?

Existe um movimento bonito de resgate e valorização desses saberes antigos e sinceros. Com apoio de entidades culturais, de defesa do território tradicional, além de universidades, trabalhos científicos, Governo (SUS/IPHAN) e a família dessas senhoras, a juventude está dialogando e até aprendendo as técnicas, orações e a botânica empírica das matas e jardins.

 O Sistema Único de Saúde (SUS) reconhece as benzedeiras como agentes populares de saúde, integrando seus saberes e práticas tradicionais à atenção básica. Essa articulação ocorre por meio da Política Nacional de Educação Popular em Saúde (PNEPS), valorizando o cuidado humanizado, o respeito à fé e o acolhimento comunitário.


As jovens benzedeiras

Novas benzedeiras, mulheres jovens e universitárias, com base científica mas mentalidade ancestral, estão surgindo.


*Dica respeitosa*: Se for procurar uma benzedeira, vá com humildade. Peça licença, escute mais do que fale. Não é atração, é encontro. 






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3-Ervas medicinais nativas de cada bioma brasileiro

Cada bioma tem suas "farmácias naturais". As plantas se adaptaram ao clima e solo local e viraram remédio tradicional. Olha só:


*1. Amazônia*
Maior biodiversidade do planeta = maior variedade de medicinais.  
- Unha-de-gato `Uncaria tomentosa`: Anti-inflamatório, imunidade 
- Andiroba`Carapa guianensis`: Óleo cicatrizante, repelente 
- Copaíba`Copaifera langsdorffii`: Óleo anti-inflamatório, expectorante
- Açaí`Euterpe oleracea`: Antioxidante, energético

*2. Cerrado*  
A "savana brasileira" é referência em plantas do campo.  
- Barbatimão `Stryphnodendron adstringens`: Cicatrizante, anti-inflamatório. Casca é a parte usada
- Sucupira `Pterodon emarginatus`: Semente pra dor e inflamação nas articulações 
- Pequi`Caryocar brasiliense`: Óleo do fruto é anti-inflamatório, bronquite
- Arnica-do-cerrado `Lychnophora ericoides`: Analgésica, contusões

*3. Mata Atlântica*  
Bioma mais desmatado, mas ainda rico em medicinais da floresta úmida.  
- Espinheira-santa`Maytenus ilicifolia`: Gastrite, úlcera. Uma das mais estudadas
- Guaçatonga `Casearia sylvestris`: Cicatrizante, anti-inflamatório, aftas
- Carqueja`Baccharis trimera`: Digestiva, fígado, colesterol
- *lErva-baleeira `Cordia verbenacea`: Pomada pra dor muscular. Virou fitoterápico aprovado

*4. Caatinga*  
Plantas resistentes à seca com princípios ativos concentrados.  
- Aroeira `Myracrodruon urundeuva`: Cicatrizante, anti-inflamatório ginecológico
- Jatobá `Hymenaea courbaril`: Tosse, bronquite, fortificante
- Juazeiro `Ziziphus joazeiro`: Casca usada em xampu anti-caspa, raspagem
- Cumaru `Amburana cearensis`: Semente pra problemas respiratórios

*5. Pampa*  
Campo sulino com muitas ervas rasteiras e arbustos.  
- Marcela `Achyrocline satureioides`: Calmante, digestiva, gripes. Ícone do RS
- Carqueja-doce `Baccharis articulata`: Digestiva, diurética
- Chapéu-de-couro`Echinodorus grandiflorus`: Diurético, reumatismo, banhados
- Pitangueira `Eugenia uniflora`: Folha pra diarreia, chá digestivo

*6. Pantanal*  
Mistureba de Cerrado, Chaco e Amazônia. Planta aquática e de área alagável.  
- Para-tudo`Tabebuia aurea`: Febre, malária, inflamação
- Erva-de-santa-maria `Chenopodium ambrosioides`: Vermífugo tradicional
- Aguapé `Eichhornia crassipes`: Diurético, estudo pra diabetes

*Atenção importante:*  
1. Dose faz o veneno: Natural não é sinônimo de inofensivo. Barbatimão e confrei em excesso fazem mal pro fígado.
2. Identificação: Muita planta tóxica é parecida com medicinal. Não colete se não tiver certeza.
3. Conservação: Espinheira-santa e arnica-do-cerrado tão ameaçadas por coleta excessiva. Prefira cultivo.
4. Consulta profissional: Pra uso terapêutico, converse com médico e fitoterapeuta. Interage com remédio de farmácia.









*2. Cerrado* 

A "savana brasileira" é referência em plantas do campo. 

- *Barbatimão* `Stryphnodendron adstringens`: Cicatrizante, anti-inflamatório. Casca é a parte usada

- *Sucupira* `Pterodon emarginatus`: Semente pra dor e inflamação nas articulações 

- *Pequi* `Caryocar brasiliense`: Óleo do fruto é anti-inflamatório, bronq

sexta-feira, 1 de maio de 2026

EXPEDIÇÃO ANTROPOLÓGICA CURUÇÁ: pesquisa via mar sobre impactos da urbanização na biota, na paisagem e estudos da Região Escravista.

1- Início 

A Expedição Curuçá, cuja toponímia remete ao tupi, quer dizer "Cruz", em alusão ao circuito que fizemos , entre a Baía da Ribeira e da Ponta/Pontal da Cruz.

O planejamento envolveu a Empresa parceira que nos auxilia com caiaque e logística, que é a Remos do Bonfim. Além disso, estudamos a tábua das marés, localização e outros fatores.



Saímos da Praia da Ribeira, circulamos a Sundara e costeamos até a Baía do Jurumirim, onde circulamos as paradisíacas ilhas Cavaco e Cavaquinho e aportamos na Praia do Green Coast.

Curuçá

2- Objetivo

verificar a situação urbanística do uso e ocupação da costeira, verificar o impacto e a saúde da biota e pesquisar possíveis resquícios históricos, dentro do Projeto EREB- Estudos da Região Escravista do Bracuhy, que desenvolvemos há muitos anos, na identificação, registro e mapeamento das estruturas diaspóricas.

Corte esquemático de um
atracadouro primitivo ,
comum na Costa Verde
 entre os séculos XVII e XIX.

Planta técnica  fictícia,
 padrão baseado
em ancoradouros
da região .


Desenho técnico
 de um brigg
.

Chalupa.
Embarcação menor,
que fazia a ligação
entre pequenos
portos e rios
.

Desenho náutico,
com corte ,mostrando
castelo de proa,
quilha, vaus
tombadilho, cabrestante
...

Assim como na Expedição Ariró, veja aqui Expedição Ariró que percorreu a região marinha e estuários em busca do lendário Cais de Jerumirim e outras infraestruturas de fluxo do capital do século XIX, com mercadorias materiais e humanas, a Expedição Curuçá cobriu outras áreas ainda sem estudo.

3- - modelagem estrutural 

Com o cruzamento de fontes primárias, informações técnicas de engenharia e arquitetura de época e expertise do grupo, conseguimos reconstruir alguns modelos usados.
Modelo teórico 

Modelo teórico 

Modelo teórico 

Esboço teórico 


4- Resultados

Com uma trajetória que circundou ilhas e praias, pudemos verificar:

🔆.           Urbanização:

A região específica defronte ao bairro Praia da Ribeira, na enseada de mesmo nome, sofre com o indiscriminado adensamento urbanístico, principalmente sobre costões da parte continental, com obras arquitetonicamente distoantes com a fisionomia paisagística natural, devido a aprovação da Prefeitura, de projetos modernosos e agressivos. 



No entanto, sendo da área da APA de Tamoios, com exceção de deques , os imóveis estão mantendo distância da linha d'água. 

Já na porção oeste desse promontório, em direção a Enseada do Jurumirim/Ariró, onde há diversas sacos marítimos, as construções são ainda mais e até megaestruturas de pedra , com muros avançados, totalmente artificiais.





Como essas mega estruturas conseguiram aprovação ou até, caso ilegais, permanecerem com essas invasões sobre a lâmina d'água?

🔆           A biodiversidade:

Conseguimos alguns vídeos com equipamento anfíbio, demonstrando haver ainda piscosidade da fauna e criadouro.



🔆 Remanescentes de estruturas históricas :

Ainda apurando dados, identificamos mais evidente um canhão (ou arremedo)  decorativo, com aparência antiga.


5- Epílogo 

As incursões via mar, são uma nova modalidade institucional , com ênfase na contextualização antropológica, diagnose ambiental (botânica e faunistica) e ampliação do alcance geográfico dos estudos arqueo-históricos .

Mais uma aventura cultural e mais reconhecimento de nosso território tradicional !

Carlos Eduardo da Silva 

Prof Lic.Hs.

Pres.IPHAR





























terça-feira, 14 de abril de 2026

EXPEDIÇÃO TÉCNICA ARIRÓ: Estudos da Região Escravagista avançam mar adentro .

 🦀⚓⛵🛟

 *EXPEDIÇÃO ARIRÓ** 

A temporada de trilhas está começando, mas para fazer diferente, fizemos uma expedição de 17 km de caiaque ,remando por belas paisagens, cachoeiras raras e comunidades caiçaras.

Agradecimentos: empresa Remos do Bonfim, que levou o caiaque e deu apoio logístico.


Tudo com a meta de incrementar o Estudo da Região Escravista do Bracuhy, que desenvolvemos há muitos anos .

A abrangência do Estudo também identifica os aspectos geológicos e ambientais, transversalizando conhecimentos com a dinâmica da ocupação do território e o movimento do capital , mormente no século XVIII e XIX.

Ali existiu a taba dos temidos Tamoios e seu célebre líder, Cunhambebe, nas primeiras décadas da colonização.


Formações geológicas especiais.


Canoa ubás caiçaras:
 tradição sobrevive!
 
Cachoeira cai no mar:
 Ilha Comprida.







Cais de atracação. Antigo.
Tecnica rudimentar de arquitetura.


Cais em pedra seca, com patamar
 dividido em dois vãos de escada.













Também na mesma área existiram diversos portos no século XVIII e principalmente no século XIX, de onde partiam contingentes enormes de escravizados, tropeiros e aventureiros serra acima.

E claro, tivemos  lazer e desfrute da beleza tropical da Baía do Jurumirim.