domingo, 11 de outubro de 2026

IPHAR NA FLIM-2026: O MUSEU EM SuAS MÃOS!

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UMA EXPOSIÇÃO TÁCTIL E INTERATIVA

1-Introdução: idéia inicial.

O IPHAR , na sua missão cultural, dentro da temática da Feira Literária de Mambucaba 2026, que é "cultura e pessoas com necessidades especiais", levou uma proposta museal onde o espectador pode manusear as peças e assim, de forma lúdica, brincando , possa ter a experiência de aguçar outro sentido, além da visão e se aprofundar no universo do objeto , com conceitos étnicos , culturais e estéticos.


Cada material foi escolhido por sua representatividade conceitual: Comunidades Tradicionais, Povos Originários, Antiguidade histórica , artesanato popular.

O público que se propôs a experienciar ganhou uma oportunidade única e inédita na Costa Verde.





2-Metodologia:pedagogia

Nosso grupo de estudos, inovando mais uma vez, levou em uma feira popular e na rua , uma banca onde a população, e tivemos crianças, jovens e adultos, ao adivinhar cada centímetro , foi também degustando sua própria capacidade perceptiva e conhecimentos pessoais acumulados por anos, que todo cidadão minimamente urbano e ligado a alguns mídia , tem.

Portanto, nossa instituição, ainda que com pouco público no evento devido ao horário diurno com sol e nossa maior concorrente, a bela  praia de Mambucaba, exitou nos objetivos que foi baseada em duas premissas: popularizar a museologia e oportunizar o autoconhecimento.

3-O Museu na Calçada: a Descolonização do Espaço Expositivo
Por séculos, os museus foram vistos como "templos da cultura", edifícios imponentes projetados para a contemplação silenciosa de coleções guardadas a sete chaves. No entanto, a evolução da museologia contemporânea — impulsionada pelas diretrizes da Mesa-Redonda de Santiago do Chile de 1972 — operou uma revolução conceitual: a necessidade urgente de rachar os muros institucionais e ir ao encontro do público.

Diz a Carta de Santiago:
O texto oficial defende que as instituições devem romper o isolamento de suas coleções e passar a conectar o homem diretamente ao seu meio físico, social e cultural: 
"Uno de los resultados más importantes alcanzados por la mesa redonda fue para definir y proponer un nuevo concepto de la acción de los museus: el museo completo [o museo integral], destinados a proporcionar a la comunidad un panorama general de sus medios materiales y culturales." 
(Tradução livre: "Um dos resultados mais importantes a que chegou a mesa-redonda foi a definição e proposição de um novo conceito de ação dos museus: o museu integral, destinado a proporcionar à comunidade uma visão de conjunto de seu meio material e cultural.") 
Complementando esse ideal, o preâmbulo da resolução enfatiza a necessidade de o museu se projetar para fora para ser útil à sociedade: 
"Eles consideraram que a tomada de consciência, pelos museus, da situação atual e das diferentes soluções que se podem vislumbrar para melhorá-la, é condição essencial para sua integração à vida da sociedade
. Dessa maneira, consideraram que os museus podem e devem desempenhar papel decisivo na educação da comunidade. 
Quando as exposições saem dos espaços tradicionais de museus e ganham as ruas, feiras livres, praças e becos, ocorre uma mudança profunda na lógica de visitação. 
O patrimônio deixa de exigir um deslocamento formal — que muitas vezes intimida ou exclui as classes populares — e passa a interceptar o cotidiano. Em vez de o cidadão ir ao museu, o museu se faz presente no caminho do trabalho, na feira de domingo ou no ponto de ônibus.
Essa prática extramuros cumpre um papel pedagógico e social crucial por meio de três dinâmicas principais:
  • Democratização Radical do Acesso: Expor em feiras e praças elimina barreiras invisíveis econômicas, geográficas e psicológicas, tornando o conhecimento acessível a quem nunca pisou em um museu tradicional.
  • Ressignificação do Espaço Público: Uma calçada ou um mercado público, ao abrigar uma mostra fotográfica, objetos históricos ou intervenções artísticas, ganha uma nova camada de significado. A rua deixa de ser apenas um lugar de trânsito comercial e se torna um palco de reflexão cultural.
  • Valorização dos Saberes Locais: Ao se instalar em feiras, o museu dialoga horizontalmente com os trabalhadores, os feirantes, os artesãos e a comunidade local. O acervo se mistura com a vida real, validando memórias e identidades que a história oficial frequentemente negligenciou.
4-Resultados: a marca e a cultura ao alcance.
Tivemos em torno de 50 pessoas passantes , que receberam nossos produtos de divulgacão e também viram nossa logo e algumas foram atendidas.
Levar exposições para o espaço aberto da cidade não significa esvaziar o sentido do museu, mas sim expandi-lo ao máximo. Ao ocupar o asfalto e as feiras, os profissionais da cultura atendem ao chamado do museu integral: uma instituição viva que não se define pela solidez de suas paredes, mas sim pela relevância social de suas ações junto ao território.
5-Participar de feira é Brand Activation / Brand Experience :
O guarda-chuva geral é GANHO DE MARCA = Brand Equity*
Dentro disso:
- *Brand Awareness / Notoriedade de Marca: fazer mais gente conhecer o IPHAR. É o mais comum pra feira - "ah, existe um instituto de arqueologia em Angra".
- *Brand Exposure / Visibilidade de Marca: Só de estar lá com banner, camisa, seu pôster já conta como exposição.
- *Brand Activation / Ativação de Marca: Quando você interage - conversa com o público, explica sobre os coletores-amoladores, distribui material. É o que mais gera valor em feira.
- Brand Experience / Marketing de Experiência: Quando a pessoa VIVE a marca. No seu caso: ver as fotos dos sulcos na rocha, tocar em réplica de remo caiçara, etc.
- Top of Mind / Share of Mind: Quando alguém pensar "arqueologia em Angra" e lembrar primeiro do IPHAR.
- *Brand Equity / Patrimônio de Marca: A soma de tudo isso no longo prazo. É o "ganho" real.
De quebra, ainda fui entrevistado pelo amigo e caiçara, Heberton, que está fazendo um documentário .
Agradecemos ao Carlos Rogério, dito Cagério, por mais um ano juntos e a equipe do Mambucaba Sempre Viva .
A ativação e fortalecimento de brand awareness do IPHAR, com foco em construção de brand equity junto a comunidades tradicionais e público acadêmico.
O IPHAR, humildemente e sem recursos, continua sua trajetória pujante de não só reproduzir e divulgar  , mas de produzir fatos e dados pioneiros!
Para nós, cada pessoa èé um universo inteiro.
Carlos Eduardo da Silva
Prof Lic.Hs.
Pres.IPHAR
Mambucaba , 10/10/26



sábado, 5 de setembro de 2026

EXPEDIÇÃO YPAUM GUASSU 1: 1° dia, Saco do Céu, 💚Ilha Grande.

 Nesse 1° dia...sexta (28/08

Dentro do Projeto Memórias Vivas , estive com esforçada equipe no Saco do Céu, bairro caiçara da Ilha Grande , em Angra dos Reis, para visita antropológica, com coleta de depoimentos/entrevistas para História construída pelos próprios moradores.


Vieram emoções, lágrimas, risadas, estórias e histórias de lutas e perdas coletivas e individuais...



Mas também lembranças de brincadeiras infantis ,  sabedoria ancestral em xaropes naturais, e como não seria diferente, a percepção da natureza e do ritmo do mar com um tom quase poético, só não sendo totalmente mágico , porque esse mesmo balançar das ondas , dos caranguejos e siris, está sendo destruído por derrubada do manguezal e ondas que são provocadas por centenas de lanchas e iates que aos finais de semana passam elem alta velocidade ou aportam ali com barulho e remexem o fundo do mar.








Petrechos de pesca




Um dos últimos mestres canoeiros :
 Sr. Pedro, também artesão
de miniaturas náuticas.

Peixe com banana: típico angrense.

Casinha típica caiçara.

Cerca caiçara de taquara


"Monumento" a incompetência :
obra gigante
de saneamento abandonada há anos,
 criando mosquitos e contaminando o solo ,
pois são objetos plásticos e fibra.



Rancho de canoas, tradicional.

Um absurdo que constatamos foi a obra de saneamento abandonada, próxima ao campo de futebol, que segundo moradores, sem conseguirem relatar datas exatas, era do Governo do RJ e prefeitura e foi embargada pelo INEA. Ali, um monumento a corrupção e ao desperdício de dinheiro público suado dos contribuintes...




Identificamos telhas do início do século XX.



Tradição: frontão com azulejo
 em casa de morador,
com os mesmos padroeiros
 da Igreja local.

Igreja Católica local

Assim, entre rememórias de festas tradicionais católicas que tinham forrós animados ou roças e cercos de pesca coletivos revistados , outrora esquecidos,  os agora amigos nos acolheram  com o jeito brasileiro de ser:"se acomoda, senta, se achega"

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

💚EXPEDIÇÃO YPAUM GUASSU 2: visita antropológica as Comunidades Caiçaras da Ilha Grande-Praia de Palmas.

2° dia, Praia de Palmas.

E a missão de se aproximar, catalogar e salvaguardar a memória viva da Ilha Grande continuou no sábado ( 29/08). Dessa vez, na verdejante Praia Grande de Palmas, entre Abrão e a Ponta de Castelhanos .

Os anciões e mestres da comunidade caiçara, Sra. Regina e o Sr.Dario Possidônio .

Os registros foram ricos , com nuances resgatadas  desde os forrós e carnaval em plena areia da praia no meio dos coqueirais, com os alunos da antiga Escola de Pesca Darcy Vargas (1939-1971) , que vinham de uniforme de marinheiros e eram filhos de caiçaras ou meninos pobres cariocas, lembranças de ruínas e a história de alguns monumentos até a atualidade, com a opressão da narcomilícia, incluindo a prisão arbitrária sem acusação formal  e ilegal da dona Regina (idosa) e seu filho especial...

Mas ela mantém sua alegria, bom humor e energia pelo interesse coletivo!






Coluna de antigo casarão do sec.XIX


Cruzeiro:
com poucas referências,
 provavelmente além
 de marco histórico
de ocupacão,
serviu como local de batismo
antes da duistribuição
dos escravizados.



Pó de sambaqui pré-histórico:
 evidência de
uso na construção oitocentista,
de elementos calcários.




Antigo puxador de barco



O abandono canônico /eclesiástico da Comunidade Católica local por parte da Paróquia responsável fica evidente , pois alegam estar há muito tempo sem missas e a tradicional festa preta de São Benedito...mas que resiste, inclusive como última  referência social e ajuntamento, recebendo até uma estação de rádio para emergências, via satélite ...mas que o pé de manga danificou a antena, também chamou a atenção.



Fiz algumas visitas técnicas rápidas com retorno em breve , pois mapeamos outras estruturas.

O mais saboroso não foi a caipirinha nem o cafezinho sob o curioso restaurante Moranguinho...mas o ritmo único da conversa, das risadas e das esperanças ...

Carlos Eduardo.

Prof Lic.Hs.

Ilha Grande, 29/08.

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

O ANJO GUARDIÃO DA ILHA GRANDE (OU SERIA O FOFOQUEIRO?)

 No adro da bela Igreja de Sant'anana , de 1843,  na Ilha Grande 💚, há um misterioso anjo de mármore branco, com apenas uma asa, sem uma das mãos e com gesto de vigilância.

Segundo relatos, foi feito a mando do então Comandante do Colégio Naval , para lembrar da sra. Francisca, que segundo se dizia, tinha "mãos de ouro", não se sabe se por dotes de costura, culinária ou até de repente , de curas...falecida em 1941, com menos de 60 anos.

A mão ausente, era de ouro ou dourada, segundo a lenda.






A asa foi vandalizada.

A valorização da arte cemiterial gera milhões de dólares no mundo inteiro  em visitas guiadas turísticas e  até venda de souvenir. 

No Brasil, ainda são incipientes, mas existem, esses estudos de escultura, pintura, arquitetura , história...em cemitérios.

Mas uma limpeza e restauração , já daria outro aspecto àquele monumento.