domingo, 26 de fevereiro de 2023

A FAMÍLIA CENTENÁRIA! MARAVILHA: GERAÇÕES DA MINHA FAMÍLIA SE REENCONTRAM!

 💙🧡💜💚

No dia 15 de fevereiro fui visitar minha tia-avó , Tia Pitita, (Leocádia), de 95 anos, nas terras tropeiras dos meus ancestrais maternos, no bairro Várzea do Inhame, Lídice, um Distrito de Rio Claro-RJ.

Levei minha companheira Maria Célia Costa da Silva e minha mãe, Maria Margarida da Silva.






1-Ancestralidade🏆

É irmã do meu avô, querido Tonico (Antônio Telmo se Oliveira, in memorian) e filha do Gito ( Evergisto Telmo? de Oliveira), meu bisavô e de Anna Maria , bisavó.

Eu ainda tenho 2 tias-avós vivas e plenas de consciência: Perpétua (em torno de 90 anos) e Pitita (95). Meu avô viveu até os 93 anos.





2-Bom humor e memória:

A conversa fluiu com naturalidade e simpatia. O mais engraçado, foi que ela se lembrou de um fato pitoresco de mais de 30 anos: em visita a minha casa em Angra, eu ainda criança, ela tinha gostado de um prato com uma foto(pires) onde estávamos meu pai(Nilton Ramos), minha mãe, minha irmã Kátia  em turismo no Pão de Açúcar, Rio de Janeiro na década de 1980. Só que eu, tirei da mão dela e coloquei de volta na estante...Ela lembrou e disse, rindo:

_Da próxima vez, sem o pires, você não entra aqui.

Famosa imagem do pires


Outro estória lembrada, era que os bailes de quermesse e festas santas (calendário católico) eram muito animados , com muito forró caipira e ela lembrou:

_Quando a gente não simpatizava com o cavalheiro (par de dança), eu dizia que ia beber água na cozinha do galpão (barracão) e com uma amiga, fugia pelos fundos...

Minha bisavó, a mãe dela, era parteira, a melhor da região. Tudo era ela: as vezes saía de madrugada pra ajudar parturientes.

Já meu bisavó, Sr. Evergistro Telmo, era proprietário de muitas terras e animais, casas de farinha e plantações naquela na região, era arrieiro (dono de tropas) mas os filhos não deram encaminhamento com mesma administração.

O mais interessante, é que a todo momento,a preocupação dela era que minha prima, a Lourdes servisse café:

_Lourdes, serve o café.

Ou seja, um costume bonito de acolhida aos visitantes e viajantes, que a família manteve por séculos. 

Estavam lá também meus primos Henriques e o Jonas. Além da Simone Leite, filhado Sr. João Gaúcho ( Veja aqui sobre isso. João ) que é um vizinho dainha tia há mais de 60 anos ...

Estar com Sr. João é sempre uma conversa rica e inteligente

Será que o segredo da longevidade é o senso de humor??

3-Uma preciosa revisita

Havia mais de 30 anos que eu não estivera ali...

Estar ali, diante de uma representante viva do meu passado em plenitude de consciência, independente e com a saúde em condições satisfatórias, é revisitar tanto vivências minhas quanto ser colocado como sujeito da História.

Ver nos olhos da minha tia, os olhos do meu avô, a fisionomia da linhagem, o fenótipo da minha parentela.


4-O tesouro!

Descobri que havia uma foto da minha bisavó, dona Anna ... já com seus 90 anos, está cercada por familiares, segurando um buquê de flores , de cadeira de rodas. Segundo meus primos, eram parentes do filho dela, irmão da tia Pitita, o Nica. Foi um achado, pois pela 1° vez, eu tive idéia da aparência da minha bisavó, que não conheci.



Bisavó Anna 

5-Um símbolo de amor

No quintal perdura o pilão, objeto sagrado de onde saíram farinhas e paçocas para nutrir filhos, netos e amigos, em festas da colheita comunitária do mutirão ou eito, como minha tia fala...ou um simples almoço. Ali está a força de braços  mas também energia do amálgama de etnias: indígena, européia tribal e africana.



8- A Folia do Espírito Santo e a Bandeira dos milagres

A surpresa também ficou com a notícia de que a Folia ainda existe ali no bairro, o capitão ou bandeira, ou líder é o meu primo e levaram a Bandeira para eu ver:com várias promessas penduradas,que na verdade são votos de agradecimento ou prece, do povo da região, onde se vê fotos, laços multicoloridos, fitas de seda e cetim , flores e até mexa de cabelos, tudo em agradecimento por graças espirituais e físicas a divindade, no caso, o Deus em forma de Espírito Santo (Terceira Pessoa da Santíssima Trindade cristã), ou pedidos .


Um belíssimo e bem cuidado objeto de fé que registrei.

No topo do cabo, há uma efígie de prata do próprio Espírito, na forma de uma pomba metálica, o Pneuma Ágios da Igreja primitiva, conforme o texto bíblico em Mateus 3,16.

 Um folguedo popular, cujas funções iam além da propagação da regiliosidade cristã, mas era fundamental na renovação dos laços comunitários, notícias civis e portanto , uma verdadeira rede social da época e até hoje.



Clique e conheça a Folia do Divino em Angra dos Reis-RJ

7- Epilogo

Uma família longeva!

Nessas histórias e estórias, está uma antiga e bicentenária ancestralidade...

terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

NOTA DE PESAR PELA TRAGÉDIA CLIMÁTICA QUE ATINGIU O LITORAL NORTE PAULISTA: O POVO CAIÇARA SOFRE MAIS UMA VEZ

 No dia 06/04/2022 publicamos aqui no blog uma Nota de Pesar com sentimento e ações em prol das cidades de Angra dos Reis e Paraty-RJ, onde houveram mortes e destruição, porém, com índices recordes de  volumes pluviométricos , chegando a 809 mm em Angra

Clique aqui e veja a Nota de Pesar de abril/22

Com um tsunami celeste , neste mês de fevereiro presente (18/02) a região do Litoral Norte Paulista, especificamente nos municípios de Ubatuba, Ilhabela, Caraguatatuba e São Sebastião, tiveram infraestrutura destruída, desabamentos de massas e dezenas de mortes. Com mais de 600mm , mais uma vez fica evidente o crime de inação preventiva, descontrole construtivo das encostas e margens de rio, e principalmente a falta de estrutura urbana dessas cidades, com gestores públicos de baixa eficiência e corrupção.

Ruas sem calçamento, precariedade generalizada em sistemas de drenagem e esgotamento deficiente , tais regiões , no entanto, tem população tradicional de origem e que vive seus afazeres e cultura de forma ainda simples, sem preparo educativo de prevenção a desastres. Cidades sem alarmes e sirenes,  sem planos de evacuação , sofreram muito mais que Angra dos Reis e Paraty. Relatórios federais já tinham mapeado as áreas de risco geológico; nada foi feito.

No link abaixo, você acessa sua região, e preenche os quadradinhos com os tipos de perigo, as camadas,  sobre o mapa. Exemplo: "movimento de massa".

Clique e conheça o mapa

Apresentamos nosso sentimento sincero de afeto a população caiçara, quilombola, indígena e civil comum e cobramos ação efetiva do governo federal, do Estado e principalmente das prefeituras.

 Carlos Eduardo da Silva

22 de fevereiro de 2023

sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

DIFERENÇAS ENTRE A CANOA CAIÇARA E O BARCO DE BOCA ABERTA OU ESCALER, FLUMINENSES.

 ⚓⚓⚓⚓

No Estado do Rio, existem diversos povos e suas tecnologias típicas, que se desenvolveram conforme o ambiente natural e cultural.


 🌐1- Intróito histórico

Aqui, abordaremos a canoa caiçara e seu território antropológico e o barco de boca aberta ou escaler, do Norte fluminense.

No endereço eletrônico oficial da Marinha,

Clique e conheça a classificação da Marinha

o leitor vai ter como baliza as classificações básicas de embarcações ditas  miúdas do nosso litoral.

Enquanto as comunidades tradicionais caiçaras , evoluídas a partir de conhecimentos marítimos de navegação ancestrais , muito anteriores aos portugueses e demais influências européias e africanas, criando uma tecnologia única e uma nautidinâmica inconfundível, os Sambaquianos que ocuparam a faixa litorânea de águas internas e manguezais das longas praias e estuários da atual Região dos Lagos e Norte , e principalmente os ambientes lacustres, foram se adaptando a caça-coleta de pescado e esforço ergonômico menos ligado ao mar aberto.

Imagem de fundo: 
https://museu.ufsc.br/marque-virtual
/sambaquis/acervo-4-dente-de-tubarao/


 🌐2-Um lapso geográfico 

O barco de boca aberta, que alguns chamam do termo antigo  de caíque ou caíco, típico e predominante no litoral Norte fluminense , é na verdade uma evolução mais barata (folhas de prancha naval de madeirite) , dos antigos escaleres de pesca e transporte de cais, dos navios e também um hídrido com as antigas baleeiras.

Porém, havia, pelo menos até os anos 1980/90, a fabricação de canoas artesanais de um tronco só, mas mesmo essas, não eram as  *ubás* caiçaras, com o desenho das que se fazem entre a comunidade de Tubiacanga (Ilha do Governador) e o Paraná, mas muito próximas das que são cavocadas em Santa Catarina.

Isso implica em dizer que a região característica dos caiçaras está no meio de uma canoa chamada bordada , maior e mais pesada, de origem principalmente em Araruama-RJ. Porém, essas canoas de um tronco, hoje raras naquela parte do Rio, provavelmente tem a mesmo nascimento que as catarinenses: as Ilhas dos Açores, Portugal.


 🌐3- A boca aberta ou escaler

Alguns estudos universitários em Conheça a teoria do barateamento das fábricas   apontam a possibilidade da maior parte das embarcações de pesca de mar interior que hoje predominam entre Maricá e Campos dos Goytacazes seriam apenas uma interferência comercial de poucas décadas para baratear a função dos armadores (construtores) e pescadores.

Mas não é.

A barco de boca aberta (que a Marinha do Brasil denomina escaler), é na verdade um híbrido evolucionário entre a baleeiras do século XVIII/XIX e o escaler dos anos 1910/30. Essa é nossa teoria iphariana pelas entrevistas que fizemos, observação in loco e ainda engenharia comparativa (utilitária e não de eficácia).


 🌐4- A ubá caiçara e os antigos argonautas

A opinião não é somente do grande navegador brasileiro Amyr Klink, que a canoa nativa do Rio até Santa Catarina tem uma mecânica naval aprimorada e única, mas também estudos acadêmicos ( clique aqui e conheça os exímios ancestrais navegadores dos atuais caiçaras ), estão apontando que o pré-cerâmicos que habitavam essa mesma área litorânea, detinham conhecimentos de navegação, pesca e calibravam seu cotidiano intimamente com o mar, inclusive nos ritos funerários, de socialização etc.

A despeito da falta de  indícios arqueológicos físicos, da presença da canoa, diferentemente de outros biomas (veja Unicamp, conheça e também em Clique e veja talvez a mais antiga canoa do Brasil e ainda em clique e conheça o mais fantástico sepultamento em canoa da história recente das Américas ) muito mais pela pouca pesquisa do que pela ausência dos artefatos...temos no entanto variedade de evidências pelas oficinas líticas em dezenas de sítios arqueológicos da Baía da Ilha Grande e ainda pela própria técnica de construção , ainda perene entre os poucos mestres canoeiros vivos, que realmente tem antiguidade , tanto a tecnologia quanto as práticas de navegar.


 🌐5- O comparativo

 Nosso comparativo tem como base a reprodução em miniatura fiel, do design fundamental de dois espécimes feitos por artesãos das respectivas cultura de pesca nortista (Y) e da cultura caiçara (X), ambas no Sudeste brasileiro.

Uma , é um típico transporte em escala de semi modelismo (miniatura) feito pelo artista Teco Fieza, coletado em 01/23, na Praia do Canto , em Armação de Búzios-RJ e a outra peça, foi adquirida nas ruas de Paraty-RJ, em 2017/18 e fabricada pelo nativo Idembergue Tenório.



 ⛵5.1-A linha do toso , a figura A , número 1.

Percebe-se nítida diferença na curvatura do beiral/bordo (1) com acentuação maior na canoa caiçara.


 ⛵5.2-Linha Mestra , figura B , número 2

A linha mestra , na figura B, identificada pelo número 2, que é a linha de fundo submarina, na canoa nortista é plana, mais bojuda (larga) ao centro, típica de navegante de águas protegidas ou portuárias, com madeiramento maior, sendo na caiçara, mais esguia, o que dá mais velocidade e corte de ondas. 

Há inexistência do elemento dito cruzeta, na nortista.


 ⛵5.3- covernos ou "cavernas" , figura C, número 3

A caiçara não tem a estrutura basal das "cavernas"(3) no fundo, obviamente porque não é montada e sim cavada num tronco único.


🌐 6-Conclusão

 Essa falta de caibros de fundo na caiçara, aliada a um espelho de popa mais alto na nortista e ainda a linha mestra da base bem mais  pontiaguda da caiçara (na nortista é plana), talvez sejam as três mais marcantes diferenças nas técnicas construtivas artesanais.

Carlos Eduardo da Silva

Prof.Lic.

Angra, 26 de janeiro de 2023



quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

🎸🥁🪕VIVA SÃO GONÇALO!

Sua pregação era que Deus é alegre e a dança e rodas de viola afastava o mal. É do século XII. Portugal.


💙UM CAUSO DE FAMÍLIA

Um "causo" de família: O Senhor e Sua escolha.

Para ilustrar, vou contar um conto que passa gerações na minha família (aliás, de músicos de Folia , Antônio Telmo de Oliveira, nosso Vô Tonico) . 

O Senhor passando num vilarejo, avistou primeiro um templo religioso, e de fato estavam ali concentrados e fazendo orações e ritos, todos com cara carrancuda...mas Ele ouviu, em Sua onisciência, o pensamento dos presentes, uns desejando a esposa do outro, outros invejando , acolá um pensando em cobrar dívidas, outro praguejando etc...

Depois, seguindo, ouviu uma sanfona, um adufe e bandeirinhas coloridas...era uma festa . Estranhamente, não conseguiu captar as mentes...e percebeu sorrisos, abraços e muita dança... aí Ele não pensou mais, caiu no xiba -cateretê e foi até de madrugada...

Dança de São Gonçalo (MG), uma variante da dança.No caso, típica dos povos caipiras.

Pedro perguntou: 

_"Senhor isso não é escandaloso?"

O Senhor respondeu:

_"Pedro, Pedro, há mais escândalo , às vezes, no pensar no que no fazer .

Não vês a alegria, os gestos de amor fraternal gratuito, a partilha de alimentos e os sorrisos sinceros?"

E ainda disse:

_"Toma uns bebericos, porque vós , daqui há muitos séculos sereis muito festejado...em danças e festejos...relaxa".

Dança do Anu, é um tipo de xiba-caterete, mas não é a dança do São Gonçalo.


💙A HISTÓRIA DO BEATO "SANTO"

Ele ainda é Beato, último estágio para ser canonizado (santo), pelas leis da Igreja Católica, criteriosa.

Protetor das prostitutas :tocava viola e ocupava o tempo delas  pra dançarem até cansar e não tinham tempo de se prostituirem, promovia bailes  de roda de viola e músicas falando de um Deus alegre e feliz.Foi perseguido e mal falado exatamente por atrapalhar a exploração humana.

💙A DANÇA

Os elementos simbólicos são quase invariáveis: dois repentistas como liderança, duas filas de dançarinos e um altar com São Gonçalo, às vezes Nsa. Sra. Aparecida (representando a presença da padroeira nacional e a Igreja) , um Crucifixo (representando a presença de Deus), a Bíblia (representando a Lei), flores e velas(estes, representando a beleza, a natureza e a oração).

Clique aqui e conheça a Dança de São Gonçalo, em Bom Jesus dos Perdões-SP

Clique aqui e veja essa lindíssima variação da dança, em Ouricuri-Pernambuco

Dança de São Gonçalo, Santa Isabel-SP, outra variante caipira.

A verdadeira, mais próxima da dançada no litoral, pelos povos caiçaras (com a volta nas filas e o trotado).

É protetor contra enchentes , tempestades e enxurradas, pois construiu uma ponte em Portugal do seu próprio bolso e doações, para que nenhuma criança ou idoso morresse afogado, e naquela região começaram a haver milagres divinos, por sua intercessão.

É protetor dos violeiros.

Foi talvez o primeiro santo travesti, pois para pregar o Evangelho, e conseguir entrar nos bordéis, se vestia de mulher. A Palavra de Deus só alcança com criatividade!


⚓🦀🛟Um dos santos caiçaras e caipiras mais festejados.

domingo, 8 de janeiro de 2023

NOTA DE REPÚDIO :CONTRA ATAQUES TERRORISTAS AO PATRIMÔNIO CULTURAL DA NAÇÃO

 O Presidente do IPHAR , em nome dos diretores e colaboradores, vem repudiar a destruição dos prédios históricos do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal  Federal, ocorrida na data deste domingo, 08 de janeiro de 2023 , ato criminoso perpetrado por terroristas ligados a uma facção político-miliciana. Nota da academia e universidades


Há vários anos, no recente mandato majoritário federal,  o IPHAN e outros órgãos ligados ao Ministério da Cultura vem sofrendo esvaziamento orçamentário e precarização de cargos administrativos, com substituição de técnicos e acadêmicos, por amadores e afiliados políticos sem conhecimento específico exigentes por lei e por ética. Essa desestrutura causou tragédias como o incêndio do Museu Nacional (Rio, 02 de setembro de 2018), o incêndio na Cinemateca Nacional (São Paulo, julho de 2021, embora a Cinemateca venha sofrendo há décadas) entre outras graves perdas. Clique aqui e veja o caso da Cinemateca e Veja aqui a situação do Museu de Arte Sacra de Angra dos Reis

Além disso, também mais recentemente , a esposa do Presidente eleito em 2022, a Sra. Rosângela Lula da Silva, dita Janja, denunciou na imprensa o estado de abandono do Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República, inclusive com desaparecimento de obras de arte, conforme clique aqui e veja a situação do Palácio da Alvorada

Porém, na presente data, os ataques terroristas e invasão dos já citados espaços públicos nacionais requerem nosso repúdio máximo e sentimento de ferimento a honra como nação.

Carlos Eduardo da Silva

Presidente do IPHAR.

Angra dos Reis-RJ, 08 de janeiro de 2023.

terça-feira, 3 de janeiro de 2023

A LENDA DO DRAGÃO PETRIFICADO PELO PADRE

1- A lenda

Diz a lenda da Mombaça:

No início do século XVI, antes mesmo da colonização, Pe. Anchieta, em passagem pela região, transformou em pedra um dragão que aterrorizava os indígenas, o Anhangá Assu, um monstro terrível, que junto com a deusa do fogo Angra, do panteão tupi, deram a luz ao Anhangá-mirim, esse sim, ainda vive livre, mas não em nossas florestas angrenses e nem paratienses, somente acima das montanhas Amantikir (Mantiqueira), também por causa da benção de proteção do padre jesuíta.

Ao caminhar em missão evangelizadora, pelas praias angrenses, o líder espiritual da Companhia de Jesus se separou com a enorme criatura ...

O monstro pousou na frente dele e com a Bíblia em mãos, exorcisou com as seguintes palavras sacras:

"Draco dormiens, usque
ad novissimum caiçara qui vivit"

Ou seja, "durma dragão, até que o último caiçara viva"!

Assim, até hoje há uma pedra naquela praia com as três garras da frente de uma das patas do dragão.


Já a deusa Angra vive degredada num túnel sob a cidade de mesmo nome, na forma de uma serpente, também aprisionada, túnel este, lacrado solenemente pelos sagrados templos do Convento do Carmo (saída) e pelo Convento São Bernardino (entrada).

Mas...quando o último caiçara de família antiga morrer, o dragão voltará e será solto.

Assim, até hoje, na Praia da Boca, na Mombaça, repousa o dragão petrificado.

"Draco dormiens, usque
ad novissimum caiçara qui vivit
"
!
Com estas imprecações sagradas,
o dragão foi petrificado.

Anhangá mirim, o filho expulso
para as serras da Mantiqueira,
filho do dragão adormecido
Anhangá Assu com a deusa do fogo, Angra.
Imagem: Rodrigo Fressatto

Angra é a deusa tupi do fogo
e da metalurgia, protege a tribo.
É loira e tem olhos verdes ou amendoados,
mas tez bronzeada, aliás,
 como as mulheres mais originais
 e de famílias tradicionais caiçaras.
Imagem:Caco Cardassi


2-A história da última casa caiçara da Mombaça

No final da década de 1960 (69), Elói Fonseca adquire terras de um antigo e ancião caiçara angrense que viveu ali por 99 anos (nome ainda sob investigação histórica). Conta a oralidade, que esse senhor, ao ir viver no centro da cidade, durou poucos meses...de tanta saudade e a quebra do seu ritmo natural...










 ponta, como é conhecida,  que ia desde um pouco mais da praia da Mombaça até a Ponta da Cidade é uma região de grande beleza cênica e mesmo com toda a urbanização e deques/atracadouros sobre a costeira, detém ainda grande diversidade biológica , facilmente avistável, com espécies tais como a tartaruga-verde ou aruanã (Chelonia mydas) , a capivara (Hidrochoerus hidrochaeris) tié-sangue (Ranphocelus bresilius) entre outras faunas.




A arquitetura da casa é típica:janelas de madeira, telhado em 4 águas e telhas do tipo francesas com tesouramento em madeira de lei, além de paredes com embolso rústico de massa .

Mas o dragão está adormecido...




terça-feira, 6 de dezembro de 2022

A DECOLONIZAÇÃO E OS ANTIGOS ARGONAUTAS

 🔵Você sabe o que é o conceito de DECOLONIZAÇÃO??

🔶🔶ERAM OS ANTIGOS ARGONAUTAS🔶🔶

🔶Uma das aplicações da decolonização, na prática, é a nossa re-existência de não aceitarmos a etnia caiçara como mera biogênese aleatória da mescla de povos na época pós-cabralina.


O que está intrínseco nesse discurso de "nascimento ao acaso" é exatamente tentar impor a idéia de impossibilidade de sermos uma cultura com técnicas elaboradas, saberes complexos e antiguidade.

Clique e conheça o grande velejador Amyr Klink sobre a engenharia naval única, da canoa caiçara



Museu de Ubatuba-SP

Os ancestrais dos caiçaras velejavam
 em alto mar:Museu de Ubatuba-SP

🔸Estudos arqueológicos estão demonstrando uma ancestralidade muito mais antiga do que os próprios indígenas de tronco Tupi ou Macro-je; portanto, a origem do povo caiçara é pré histórica, inclusive acreditamos no IPHAR ter havido uma interseção genotípica, uma interatividade momentânea, entre os indígenas amazônicos migrantes e os Sambaquianos .

Clique aqui e leia um estudo científico sobre os antigos navegantes

Somos descendentes de exímios navegadores!


*Quadros/telas do pintor Almir Tavares