quarta-feira, 24 de outubro de 2018

A TRADIÇÃO DO "ESPIA" CAIÇARA DAS TAINHAS

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BRINCANDO COM A HISTÓRIA
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🛳CULTURA CAIÇARA:
PERSONAGENS REAIS🛳

🐚🐟O ESPIA DAS TAINHAS(Mugil brasiliensis)🐚🐟

Nessa época a tainha chegava formando grandes cardumes fugindo
das águas frias do sul.
As redes eram especiais para esse tipo de peixe.
Os pescadores que possuíam esse tipo de rede, com malhas maiores e altura suficiente para chegar ao ponto mais profundo, se reuniam, convocavam seus ajudantes, denominados “camaradas” para cada um ocupar a sua posição de trabalho. Eram necessárias cinco ou mais redes que eram emendadas (alinhavadas) para completar toda a extensão, saindo da praia, dando a volta por fora do cardume e voltando a praia, sem deixar espaço vago para o peixe não fugir. Era preciso mais de mil braças de redes.

🐟🐚E CHEGA A HORA...
Para localizar o cardume e saber quando estava no “lanço” (ponto exato para o início do lançamento das redes), eram escolhidos experientes pescadores chamados de “espias”, que de acordo com a quantidade de tainha que pulava, calculavam a quantidade de peixe que estava no cardume. Eles se posicionavam no mar e os de terra aguardavam o sinal que ele dava com o chapéu, avisando que o cardume estava no ponto de cercar.
🐚Tocavam o "buzo" (búzio/Strombus goliath), e o som sagrado da sobrevivência  tomava a praia , alarmando o vilarejo e os recantos...era o sinal!!






🐚🐟MEMÓRIA  DOS ESPIAS
Os espias que se destacavam eram: Candinho Manduca no Perequê-Açú, Constantino Duarte no Itaguá, Constantino Eugenio nas Toninhas, João Vitório na Enseada. Os grandes pescadores que possuíam redes para esse tipo de pesca eram: Antonio Athanásio da Silva, Alfredo Vieira, Didito e Neném da Luz na praia da cidade, Brazinho no Itaguá, João Glorioso no Saco da Ribeira e João Vitório na Enseada.Na Ilha Grande, a família  Tenorio  da Praia do Aventureiro atuava nesse mister: até  hoje tem a Pedra da Espia, naquela vila.

🐚🐟UMA AÇÃO  COMUNITÁRIA, INCLUSIVE CRIANÇAS  E MULHERES
 Quando o espia dava o sinal com o chapéu, os que aguardavam lançavam as canoas ao mar. Tudo era muito rápido porque as tainhas eram muito espertas e fugiam do lanço. Contornando toda a rede, dezenas de canoas permaneciam junto ao cabo da bóia, aguardando as tainhas que quando sesentiam cercadas, saltavam para fugir do cerco e caíam nas canoas. Cada canoa possuía uma rede protetora vertical destinada a impedir que a tainha pulasse por cima da canoa e conseguisse fugir. Eles eram chamados de “aparadores”.

Ouça o som ancestral!


Na praia, os camaradas puxavam a rede em ritmo cadenciado e lentamente o lanço chegava ao fim. A expectativa da multidão que se reunia na praia era igual a dos camaradas que faziam previsões otimistas do resultado daquele lanço. Quando toda a rede chegava à praia os camaradas preparavam o monte de tainha para começar a divisão.

https://www.google.com.br/url?sa=t&source=web&rct=j&url=http://www.pesca.sp.gov.br/serreltec_28.pdf&ved=2ahUKEwjg1dHbkp7eAhXCposKHaE4BqcQFjANegQICBAB&sqi=2&usg=AOvVaw2eLHSh2dMtvTa3CXPgGqRj

Os aparadores aguardavam nas suas canoas, para entregar aos donos das redes um terço do que conseguiram aparar. O resultado total do lanço era dividido entre os donos das redes, chamado de “quinhão”. Cada dono começava a divisão entre os seus camaradas. Primeiro era separado o quinhão do santo, denominado de “tara”.



🐚🐟 A FARTURA É  PARA TODOS
Em cada 100 tainhas era separada a mais bonita e maior que era vendida por um preço melhor e com o dinheiro faziam uma festa, em cada praia, ao fim de cada temporada de pesca. Um terço era separado para o dono da rede, denominado de “mestre”.
Hoje, esse conhecimento ancestral desse mestre dos mares e o belo sentimento de comunidade...se perderam...

🎥Foto: Agnes, 22/10/18

Fonte :   Espia / Nelson Werneck Sodré in Tipos e Aspectos do Brasil. - Departamento de Documentação e Divulgação Geográfica e Cartográfica / Instituto Brasileiro de Geografia / Fundação IBGE. - Rio de Janeiro, 1970

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AGORA VOCÊ É UM CAIÇARA!