sexta-feira, 5 de maio de 2017

MERCADO DO PEIXE:ONDE SE VÊ A ALMA DE ANGRA

TESOUROS DA COSTA VERDE....
ANDAR NO LARGO DO MERCADO, EM ANGRA, É IMERSÃO NUM MUNDO ANCESTRAL...
CAIÇARAS, ARTESANATO LEGÍTIMO , PEIXE, PRÉDIOS HISTÓRICOS, CAMARÃO, BIBLIOTECA MUNICIPAL, FEIRINHA DE PRODUTOS ORGÂNICOS DA ROÇA DE ANGRA, LÍDICE E MINAS...



QUE PENA QUE OS EMPRESÁRIOS TURÍSTICOS E A FUNDAÇÃO MUNICIPAL DE TURISMO NÃO INCLUEM ESSE LOCAL NO ROTEIRO .... SÓ SUPEREXPLORAM AS ILHAS.


Foto:Minha; 11:15h de hoje. Sr Oseias,
do Pouso da Cajaíba,
 Paraty (mas radicado em Angra a décadas).
Clique na foto para ver inteira.

NAQUELE LOCAL SE VÊ A ESSÊNCIA DO SER ANGRENSE, QUE É LIGADO AO MAR E A CAIÇARIDADE.


sábado, 15 de abril de 2017

COMITIVA DE ARQUEÓLOGOS E HISTORIADORES FAZ VISITA TÉCNICA EM SÍTIO ARQUEOLÓGICO E EVENTO INÉDITO EM ANGRA: 1° WORKSHOP DE SENSIBILIZAÇÃO PARA O PATRIMÔNIO CULTURAL

Uma comitiva de acadêmicos  ligada ao IPHARJ e um grupo de angrenses verdadeiramente voluntários e de pesquisa profunda de sítios históricos esquecidos na região, e a outra, uma instituição privada de renome internacional que tem entre seus colaboradores, arqueologos professores de arte, doutores, e na nossa, também temos mateiros, pescadores e caiçaras...esteve nesta segunda (10/04) em visita técnica  e de planejamento, convidados e guiados pelo angrense, bisneto de tropeiros e caiçaras, Prof. Lic. em História  e com latu sensu de Antropologia Forense, Carlos Eduardo.

1- Reunião preparatória
Visitaram o Convento São  Bernardino da Sena, Igreja Matriz  e Santa Luzia, além  de outros locais.



Inclusive veio o arqueólogo  presidente do Instituto, Claudio Prado de Melo.
Se reuniram com representantes  da Secretaria de Serv. Públicos, Cultura e Educação e traçaram  projetos em comum, tudo gratuito e com alto nível acadêmico, para crianças, jovens e professores.


Ficaram extasiados com os monumentos religiosos e saborearam um delicioso almoço  patrocinado pelo próprio Carlos Eduardo e com a colaboração  de mão  de obra ou logística, tudo de amizades longas.

Lavabo artisticamente em pedra lavrada, do Refeitório

Altar-mor do Convento São Bernardino de Sena

Cláudio Prado, Prof.M.


Relógio alemão do século XVIII





Foto acima: após a reunião de apresentação no 1° dia: os representantes da Séc. Educação, Ana Maria, da Cultura, Alonso Oliveira, da Sec. Serv. Público e os arqueologos e historiadores.


2- O Almoço de confraternização

O almoço, teve entrada um caldo de mariscos, acompanhado de  paçoca caiçara,  típico da região, após servida uma moqueca de cavala com banana.
Tudo acompanhado por batuques e pontos  de jongo e violão, tudo com vista para o mar de Angra.


Durante o evento, os comensais ouviram a narração da "lenda de Nossa Senhora da Cavala", quando no século XVII, indo uma nau para Itanhaém, contratada para a cabotagem vinda de Portugal, trazia uma belíssima imagem de Nsa. Sra. da Imaculada Conceição encostou no porto de Angra para reabastecer de alimentos, água e outros mantimentos, foi quando a tempestade estranha e repentina que num dia de sol e céu azul se formava, impediu três vezes a viagem...sendo a determinação do capitão em cumprir o contrato na terceira tentativa, punida com mastros quebrados, marujos rezando e chorando, ondas gigantes...quando chegava na Ponta do Acaiá na Ilha Grande, na barra da Baía.


Quando então o capitão já convencido do poder divino voltava para o porto nessa 3° tentativa, milhões de cavalas (Scomberomorus cavalla), pulavam, brincavam e como que comemorando, faziam verdadeira procissão festiva, acompanhando a embarcação.

Artesanato com a cartilagem da cavala

E realmente, na cabeça do peixe, os caiçaras descobriram , num método próprio de limpeza da cartilagem, uma imagem perfeita de uma Virgem Maria, inclusive  com as mãos unidas em oração e a meia lua sob os pés!


A presidente da Associação de matriz afrobrasileira Yalorixá e o talentoso músico, a arqueóloga Vivian que veio do norte fluminense, a ativista e restauradora angrense, mas radicada em Ouro Preto , Lucimar Muniz, Agnes , Maria Célia, Paulo , Klaine e a equipe do IPHARJ .

Moqueca de cavala

Já no Caminho do Caramujo, estrada imperial do século XIX, feita por escravizados com lajes enormes de pedras lavradas e obras de engenharia como túneis de escoamento pluvial (funcionais até hoje!), mas que estava esquecida e nunca pesquisada, redescoberta por Eduardo após 180 anos...e citada desde o século XVIII até pelos viajantes da Missão Austríaca, trazida pela Imperatriz Leopoldina, a comitiva se surpreendeu com a magnitude daquela contrução, que ia das margens do Rio Jurumirim até a antiga Vila de Santo Antônio do Capivary (atual Lídice). Uma obra monumental , de 4m de largura e obras de engenharia vultosas e com muralhas e terraças que alcançam até 8 m de altura!
Há escoamentos pluviais funcionais até hoje, como túneis e escoadouros de pedra lavrada.



Piso feito pelos escravizados

Uma estrada monumental de 4m de largura 


Agradeço a todos os parceiros como Klaine Meira e Paulo da Pau e Pedra e ás Secretárias de Educação, Serviço Público e Cultura, pelo apoio estrutural para a montagem do evento no Convento São Bernardino de Sena (exposição, palestras e oficina de Arqueologia).



Reconstituição : perspectiva arqueológica

Terraça de arrimo da Estrada

Curso pré exposição só com professores



Os dois dias  foram de palestras, filmes e oficina para mais de 600 alunos da rede educacional pública, mais de 50 professores tiveram palestra sobre patrimônio cultural,  e público aberto , oficina de Arqueologia (com tanque de areia para simulação de escavação arqueológica com crianças!) e exposição museal de peças históricas.


O historiador  angrense Carlos Eduardo, caiçara de 250 anos das famílias açoreanas Rosa e Ramos, originárias da Ilha Comprida (Bracuhy) e Ilha da Gipóia, tem ligação pessoal e afetiva com este caminho ancestral, pois seu bisavô, Evergisto, "Seu Gito", era dono de tropa de equinos e muares e fazia essa rota desde finais do o século XIX.

Agradecemos em especial a equipe de voluntários convidados por mim, verdadeiros heróis: a historiadora e caiçara Cristina Perfeito e o filho, o professor Phablo Rodrigues, o amigo esportista Fábio Abraão, a caiçara e pesquisadora Joyce Gomes.

A Prefeitura cumpriu, dando apoio meramente estrutural(era o combinado prévio).

Tentamos fazer o melhor, mesmo com família , afazeres domésticos e com recursos próprios. A logística e a divulgação foi toda feita por nós.

A ancestralidade, a memória e nossa riqueza cultural merecem!

As pesquisas avançam.



TESOUROS DE ANGRA

TESOUROS DE ANGRA...♡

-MOLDURA DE PAREDE DE MÁRMORE  ROSA (LIOZ), DA SACRISTIA DO CONVENTO SÃO  BERNARDINO  DE SENA, ESCULPIDA ARTISTICAMENTE , COM DETALHES EM ROCAILLE, VOLUTAS E PIA DE PEDRA.

-Essa peça, ao relento no mínimo  desde o fim do século  XIX, já  apresenta desgaste por chuva ácida  (poluentes da cidade)...Bastava uma pequena cúpula  de acrílico  sobre ela!!

DOADA NO SÉC. XVIII, POR DOM JOSÉ  I, DE PORTUGAL.

Foto:Minha; 10/04/17

terça-feira, 21 de março de 2017

ASSEIO PESSOAL E CIÊNCIA NA FABRICAÇÃO DO SABÃO DE CINZAS DOS CAIÇARAS

Na vida contemporânea, ainda que seja longe dos grandes centros urbanos metropolitanos, a indústria da higiene e dos cosméticos lança no mercado consumidor de vilarejos, bairros e ilhas, toda sortidão de sabonetes em barra ou líquidos, de aromas tradicionais de glicerina e até exóticos como a jabuticaba ou cerejeira (Amburana Caerensis), que é aromática. A grande parte com preços acessíveis.

No entanto, a cultura caiçara e também dos grotões caipiras, era alijada dessas facilidades, tanto pela geografia quanto pela dificuldade de compra de importados, como era o caso do sabão do "reino", que vinha de Portugal, no século XIX.
Já nas fazendas mais abastadas, vinham sabonetes da França, guardados nos toucadores das "sinhás" e dos donos de engenho.

Técnicas que remontam aos povos tupinambás, mas também conhecidos pelos egípcios e outros povos antigos,  repassados por tradição familiar oral, usam as cinzas da queima do fogão a lenha e banha de porco para fazer a liga.
O sabão de cinzas era multiuso: ariava panelas, lavava roupas e era usado nos raros banhos, quando de festas ou visitas importantes, como o padre, uma viagem ou a noiva.



Ainda viva no Estado de Minas Gerias e interiores da região Nordeste, além de raros povoados entre os caiçaras, as cinzas são então usadas para preparar a dicuada, uma lixívia de cinzas. Para obterem-na Dona Rosa usa um “barde” e água, mas no modo tradicional usam um balaio redondo feito com taquaras de bambu de tamanhos variados (50 a 100 litros, ou maior),ou tipiti de timbopeva, o qual é forrado internamente com folhas de bananeira antes de colocarem as cinzas. As folhas funcionam como um filtro que retém a parte insolúvel das cinzas e deixa atravessar a solução. 

Chamam esse balaio de “barrilero”, que também pode ser forrado com um saco de pano ao invés das folhas de bananeira, tendo o mesmo efeito. Mas, como chegaram a este dispositivo? Como descobriram a sua aplicação na produção desse sabão? Como perceberam a possibilidade de usarem folhas de bananeira para reter a parte insolúvel e desnecessária das cinzas?  As cinzas são compactadas no barrilero usando um soquete ou mesmo as mãos “pra ficá bem socadinho”. 

Caso contrário, se as cinzas não forem bem compactadas, se não “enfiá ela bem na vasia”, deixar “bem socadinho”, se “pô a cinza lá só e pô a água”, a dicuada “não sai tamém não”: “aquilo sai raliiiinho”, torna-se diluída, pouco concentrada.  
O local de asseio pessoal era externo ao prédio da casa principal...no quintal.

As cinzas usadas no preparo do sabão normalmente provêm de fogões e fornalhas a lenha. A madeira sofre combustão nesses locais e o produto final remanescente é a cinza. Sua composição depende do tipo de madeira utilizada. Comumente, cinzas de plantas contêm compostos inorgânicos provenientes das plantas e pó de carvão produzido na combustão. 



Tais como a madeira da Assa Peixe – Vernonia polyanthes Less, a palha do feijão – Phaseolus vulgaris, e a palha do café – Coffea arábica.

Apesar das possibilidades de reaproveitamento da dicuada na forma de "um sal", o sabão de cinzas raramente é preparado usando somente o resíduo remanescente de sua secagem. O mais comum é usarem a lixívia de cinzas.  Aí depois... aí que "apura o sabão”. Outro procedimento atestado das mulheres é o uso de água quente para obter a dicuada. 

A água quente favorece a dissolução do carbonato de potássio, uma vez que esta é endotérmica (DEAN, 1987). Ao ser dissolvida pela água, essa substância dissocia-se e o ânion carbonato sofre hidrólise tornando a dicuada alcalina: O sebo provém da vaca ou do boi e a gordura ou torresmo do porco. São materiais sólidos na temperatura de 25° Celsius. Ambos contêm triglicérides, como a triestearina ou triestearato de glicerila, por exemplo, e pequena quantidade de ácidos graxos livres. 

A maior parte dos ácidos graxos encontra-se combinada nos triésteres, os quais se decompõem em soluções aquosas alcalinas liberando ácidos do tipo mirístico, palmítico, palmitoleico, margárico, esteárico, oleico e linoleico, que irão então reagir com o carbonato de potássio presente na dicuada e produzir sabões. 



O sebo de boi normalmente contém maiores quantidades dos ácidos esteárico (octadecanóico), palmítico (hexadecanóico) e oleico (octadec-9-enóico). 

Fórmula típica de um triglicéride, onde R (cadeia de átomos de carbono) pode variar Fórmula estrutural da triestearina 14 Ácido esteárico Ácido oleico Referência DEAN, J. A (Ed.). Lange’s Handbook of Chemistry. 13. ed. New York, 1987, Tab. 10-2, p. 10-15.




Por tudo isso, o povo caiçara tinha asseio quimicamente estruturado, mesmo com matérias primas naturais.
E hoje, num mundo que sofre com a antropização acentuada, jogando nitritos em rios e mares, pelos esgotos...o sabão de cinzas é uma alternativa.

Parte do texto:http://www.campusvirtual.ufsj.edu.br/mooc/ciencianacomunidade/wp-content/uploads/2015/07/As-mulheres-de-Minas-Gerais-e-o-sab%C3%A3o-de-cinzas.pdf e também figuras da internet



sábado, 18 de março de 2017

TABOA (Typha domingensis):NA CAMA E NA MESA

A taboa é um dos mais versáteis vegetais arbustivos aquáticos, que temos nos alagadiços, pântanos e brejos brasileiros. Embora seja encontrada em todos os continentes, com exceção talvez da África.
A tradição caipira e porque não, também dos caiçaras, sempre usou essa planta, para o conforto , como  a esteira de palha chamada tarimba e com a paina, se enchia travesseiros, esses, feitos com capas de chita ou até mesmo de sacos de estopa reaproveitados de feiras.
Meus antepassados em Lídice(Rio Claro,RJ) levavam as crianças para ajudar a colher, e minha mãe nos conta as sensações, magia e dificuldades....a friagem sim, mas também o divertimento com as flores voando e as cobrindo de penugem... levadas pela brisa.
O pior é a colheita, pois é nos meses de frio, entre julho e agosto quando ocorre sua inflorescência.
Somado ao perigo de contato com animais peçonhentos como cobras e aranhas, que escondidos nas folhagens e na água de alagadiços, fazem seus ninhos e teias naquele emaranhado de folhas.
O frio, o sereno gelado e o vento trazem uma sensação térmica ainda mais congelante...

 A fibra que se faz utensílios domésticos como cestos, chinelos e até pequenos tamboretes de madeira com o assento desse material, vem da folha, secada ao sol.
Retira-se em fiapos grandes.

 O que muita gente não sabe, é que há partes comestíveis, quando a planta está jovem.
Do broto, se extrai um palmito bem macio. Presente nas cozinhas caipiras, sertanejas e caiçaras há séculos.
Já a espiga, se cozinha e pode ser usada inclusive em purês e sopas com temperos como cebolinha e salsinha.
O pólen, que é a parte transparente que sai do alto, podem ser comidos in naturae, ou aproveitados na culinária simples, como doces.

 Suas sementes bastante oleaginosas, são equivalentes ao óleo de girassol.

 O artesanato se destaca e é a forma mais conhecida da taboa, pois dinâmica, a palha fibrosa vai desde cestos, bolsas e bijuterias até calçados e objetos decorativos representativos da floresta , como peixes, pássaros e formas geométricas. Há muita influência indígena no design.

Indubitavelmente, a taboa, pau-de-brejo, capim-de-lagoa, paineira -do-brejo, etc...é nossa companhia desde tempos imemoriais, tanto na habitabilidade quanto até mesmo na nutrição.


ESTUDOS DE INDUMENTÁRIA:VESTIMENTAS DO POVO CAIÇARA - TRAJES FEMININOS


 As companheiras dos caiçaras , mulheres fortes, destemidas e inteligentes, com muita fé na vida e perseverança arraigada em suas origens luso-mamelucas, na sua religiosidade  e sabedoria ancestral forjada no adaptar da sua civilização tropical, sempre se vestiram de forma pudica, ainda que com uma desenvoltura naturali.
É nessa ambientação que suas vestes foram sendo constituídas aos poucos, no intercâmbio multiétnico intertemporal.
Minha avó Carminha (Maria do Carmo de Oliveira) dizia:
_"Mulher não deve mostrar o braços, nem o pescoço e muito menos o ombro."

Sibélia Lara dança o chiba-cateretê,
no Centro do grupo folclórico, em Tarituba, Paraty. 2015
Assim, com panos baratos e de tecitura mais fechada, leve e simples, como algodão, cambraia, fustão ou chita, faziam suas roupas, de seus filhos e maridos, a mão ou em teares movidos a energia mecânica por pedal e roda, o suficiente para pelo menos duas ou três peças para alidá do dia e uma especial, mais requintada e com gomos e bordados, para festas da capela e casamentos.
Sem brocados, brincos, jóias ou camisaria luxuosa, enfeitavam-se de flores do maracujá, da laranjeira, colares de buzos e conchas e de lenços acetinados trazidos por seus pais e maridos, dos centros urbanos.
Os diversos grupos de dança folclórica em Paraty(RJ), Ubatuba(SP), Cananéia(SP), Bombinhas(SC), etc, usam figurino com poucas variações, demonstrando que não se trata de uma fantasia ou mera construção ideológica, mas sim, de uso vestuário comum, ainda que em forte desuso.
A mulher caiçara sempre usava chapéu de palha, devido a intempéries, como o sol e o sereno.
Um outro item do vestuário era o avental, sempre cuidando do fogão a lenha (hoje a gás), mas também limpando peixe e camarão, lavando roupas em riachos, fazendo farinha na Casa de Farinha ou fazendo tipiti.
Enfim, ainda que não padronizado , mesmo no período antes dos chocantes anos 1970, (pré-abertura da rodovia BR101), essas eram as peças básicas cotidianas da caiçara.


quinta-feira, 16 de março de 2017

ESTUDOS DE INDUMENTÁRIA:VESTIMENTAS DO POVO CAIÇARA - TRAJES MASCULINOS


 
Foto: cesto de tipiti com tamancos,
na sede dos Grupo Folclórico de Tarituba,

em Paraty.Foto:Minha, 2015
Típico calçado de matéria natural:
tamanquinho  caiçara
Pescador de Ubatuba; seus trajes nessa foto fortuita,
 comprovam o padrão básico de vestimenta.
 


A calça: O traje típico do profissional do mar, ainda que pescador artesanal - nos moldes do linguajar jurídico brasileiro - e do morador praiano, da cultura caiçara, era a calça até o joelho ou canela, para não molhar na saída/embarque das canoas ou na pesca a beira mar.

As calças eram de tecido grosso, como brim e tinham um cinto de corda trançada ou de couro.

Por que não usavam bermuda??

Alguns até usavam, mas a maioria, católica e no âmbito de um ethos próprio e temporal, se cobria com mais pudor.

A camisa era de tecido mais fino, de algodão cru ou até de casimira. Era usada dobrada, até o antebraço.Só nas missas e festas , se usava fechada nos punhos.
O lenço:O lenço era de tecidos diversos, mas o mais comum eram panos rústicos , que tivessem absorção. Era multiuso, como secar o suor, servia como guardanapo e até estancava  sangue de algum pequeno corte.

O chapéu de palha, era a proteção FPS do povo antigo, contra os raios ultravioletas.

Lembro do meu avô Tonico, com 93 anos, sem uma ruga e olha que era loiro de olhos verdes!
Hoje o tamanquinho é feito com fitas mais modernas, de tecidos sintèticos,
mais confortáveis, mas ainda com solado de madeira.

Os povos colonizadores fronteiriços á grande Mata Atlântica caputera, ou seja, mata escura, se adaptaram ao viver na fronteira entre as ondas e o interior regional, onde viviam e tinham relações esporádicas, mas comuns, com os caipiras.
São mestres de resistência!