sábado, 25 de junho de 2022

COMUNIDADE QUILOMBOLA DO BRACUHY, APREENSIVA COM POSSÍVEL DESTRUIÇÃO DE PATRIMÔNIO EDIFICADO E MEMÓRIA ANCESTRAL

 

1-O relato e o projeto

No dia 13 de abril de 2022, a Sra.  Marilda Souza, liderança e griô da comunidade tradicional quilombola do Bracuhy, nos informou via plataforma WhatsApp e teve a oportunidade de expressar as graves situações de pressão psicológica que eles afirmam estar sofrendo, para aceitarem , caso se confirme, um crime contra sua memória ancestral e ataque ao patrimônio histórico.

Caso comprovado, seria caracterizado como um assédio moral coletivo, onde o Secretário de Cultura de Angra+INEPAC +pároco da paróquia São Sebastião(Frade) estariam intentando modificar de forma deletéria e com consequências culturais indeléveis o adro da igreja de São José (1879), onde estão os túmulos quase bicentenários tanto de caiçaras quanto de pretos.

Para piorar , querem também fazer uma suspeitosa praça na frente, deformando totalmente a paisagem bucólico-rural e desfocando o conjunto arquitetônico. Os croquis abaixo mostram a área verde, mas sem túmulos:




A-corredor

Atual

Localização

Localização

As reuniões irregulares (sem participação comunitária), são de livre acesso na página do Facebook da Paróquia clique aqui nos links : Prova de que houve reunião e pior, decisão ilegal! e aqui também Prova 2 .


🔴Importa ressaltar que não estamos nessa publicação fazendo juízo de intenções, principalmente do pároco, mas apenas relatando a denúncia e colocando a legislação pertinente sobre o caso. As imagens são públicas e divulgadas pelos próprios envolvidos.

2-Práticas recorrentes causam receio.

Trataria-se de projeto de higienismo étnico, para fins de valorização especulatória fundiária, pois um banco comprou áreas próximas , além do projeto de quebra da legislação da APA de Tamoios para privatização do meio ambiente e um déjavu fantasmagórico dos anos 1960/70 onde descaradamente possam estar a forçar a comunidade a ignorar o passado escravista e pseudo-triste, para um turismo hedonista, padronizado, de luxo, europocêntrico.

Clique no link abaixo:

Livro relata a história da destruição material e cultural dos caiçaras

Assim, o nativo não é protagonista do seu presente (alavancado por sua autoestima), nem pode expressar suas peculiaridades culturais ,  porque esses elementos endêmicos são desagradáveis e artesanais demais, mas submisso a caprichos comerciais, trabalhistas e até sexuais, o famoso modelo made in Cancún (clique e acesse em Veja reportagem sobre o modelo econômico implantado em Cancún)

A-Visão externa atual

A-Portão de entrada do adro tombado por lei

A-festa de São José

A-Pátio interno


Altar

3-Nossa Carta aos Quilombolas é orientativa; não pretende substituir o protagonismo dos nativos. Clamamos portanto pelo diálogo entre as partes, para esclarecimentos e boas decisões.


 🔴Nesta carta, estão citados os fatos e a legislação referenciada! Não optamos por ética da instituição, em protagonizar, mas orientar.

⚜️Querem arrancar ou cimentar em cima dos túmulos ancestrais? Alegam que seria pra festa do padroeiro , porque as vezes tem enterro e passa no meio da festa...o que, os próprios moradores dizem que é falso, pois a festa é uma vez ao ano e o local tem outros espaços para a quermesse. Afrontando tanto a lei do patrimônio(estadual) quanto a OIT 169.

⚜️Querem modificar o entorno com uma praça urbanizada e modernosa, ambiente que é bucólico e rural?

⚜️Querem implantar um pseudo turismo, modelo enlatado, onde já existe uma forma comunitária (inclusive treinados pela prefeitura e universidades)?

4-Resumo de nossas orientações:

🔅1-A Igreja Católica exige respeito e manutenção ao túmulos (Instrução Ad resurgendum cum Christo ,de 2016).

🔅2-Nenhuma autoridade, seja municipal, estadual ou federal pode tomar decisões que afetem aquele núcleo de território preto sem aprovação da comunidade. Convenção internacional da OIT 169

🔅3- Reforma e restauro sim, mas apenas para reforçar o que já existe, sem derrubar ou acrescentar nada de novo. O Conselho Estadual de Tombamento é que dá a palavra final,; não é secretário nenhum, nem prefeitura e nem mesmo o INEPAC.

🔅4-O CNMP publicou Resolução 230/21 obrigando os Promotores a atender as Comunidades Tradicionais com preferência.



Caso seja verdade, será  um absurdo!

Tomam decisões de gabinete *ILEGAIS* e *SEM PARTICIPAÇÃO* dos quilombolas e sitiantes?

Estamos acompanhando e enviaremos documento as partes envolvidas para ouvir a versão dos denunciados.

domingo, 12 de junho de 2022

IGREJA DE FREGUESIA DE SANT'ANNA, ILHA GRANDE: IPHAR RECEBE DENÚNCIA DE CAIÇARAS E COLABORADORES

 Neste domingo(12/06/22), recebemos denúncias de amigos ilhéus e guias de turismo, de que a Igreja da Freguesia de Sant'Ana, Ilha Grande, está abandonada.


A

B










Muito matagal, patrimônio tumular  quase bicentenário com erosão e caiação do templo deteriorados (inclusive as tintas do madeiramento e dos vãos de porta e janelas recém pintados pela Prefeitura, derretendo) e a servidão dos moradores de outras praias, com lama e mato.

Erigida no século XIX, o templo tem belíssima e artística talha de altar com requintes do período Rococó e foi grande centro social e espiritual da Ilha Grande por mais de 100 anos. Há lápides e túmulos do século XIX e XX, sendo local de memória  e afetividade do povo caiçara  .

C

D






Exigimos competência dessas burocracias hipócritas da Prefeitura!

E pedimos a você, católico ou que tenha consciência cultural, que nos ajude a divulgar essa notícia.

Obs:

1-as imagens são de hoje(12/06) as 10:30h.

2-as imagens A, B, C e D são de livre acesso (perfil público) de Facebook.


sábado, 11 de junho de 2022

EXPEDIÇÃO TÉCNICA CUSSUBÁ 2: PELOS CAMINHOS ANTIGOS, NA VOLTA AO CAMPO DE PESQUISA

1-A missão

Hoje nossa pequena equipe, com Agnes, Maria Célia , Valnei e eu empreendemos mais uma Expedição e como sempre , teve Estudo mas teve lazer.

Região citada desde os relatos do aventureiro Hans Staden no século XVI e com Sesmarias loteadas desde o século XVII, já teve vários ciclos econômicos, tais como o aguardente e a cachaça, o tropeirismo, o café e a banana.



Rio "Mbuc aba", povo inseto. Mambucaba.













Três Quedas


O trecho percorrido foi do local Campo da Gringa até a entrada da estrada do Cussubá, sertão de Mambucaba.

2-A análise do trecho de piso histórico

Iniciamos revisitando as partes de piso histórico da antiga Estrada (Caminho) do Ouro ou Cezarea/Cesárea, do século XVI (piso do séc. XIX).

Trata-se de piso identificado pioneiramente por nós desde 1997, como na técnica moldura, que é constituído de fileiras de pedras lavradas nas laterais , no extremo de cada lado e centralmente pedras roliças naturais, preenchendo o espaço interno do miolo.

A análise arquitetônica por medições in loco e tomada fotográfica estão pontuadas com letras A, B e C e estão também nas coordenadas geográficas printadas abaixo:

B-Parte do piso
numa pequena inclinação /ladeira,
conservado,
mas já com vários sinais de desgaste.

C- Área antes da estrada do Cussubá,
com piso mais conservado,
onde está o poste fotografado.

Local da Fazenda Porto Grande

C

C-Poste ao lado do trecho mais conservado.

A

B


C

C

C


A boa notícia é que a prefeitura ,que incitada por pseudos guias de turismo e moradores sem noção em 2018 quase extinguiu o calçamento de pedras lavradas (ora, os moradores atuais chegaram séculos depois, do piso!), mas constatamos que nos 5 km iniciais da estrada, há vários trechos relativamente preservados...

B

Observamos porém, desgaste nas peças rochosas lavradas, com o choque de partes mecânicas de automóveis.

3-A Fazenda Porto Grande

Após, fomos a Fazenda Porto Grande, essa sim...triste surpresa, pois seus arcos, registrados por nós em 2018 na Expedição Cussubá I ainda estavam de pé e hoje não mais...

Os arcos do frontão da sede da Faz.Porto Grande
 em 2018, em nossa Expedição Cussubá 1.





4-A cachoeira 

Seguimos a estrada de terra, que sai da principal , onde tem uma placa escrito "Cussubá" no poste.

No quadrante -22.943944,-44.569389 você chega na entrada da Cachoeira das Três Quedas.








Belo conjunto de quedas , que deságuam num poço. Antes, na pequena trilha de acesso , ainda há outro curioso poço , pequeno e cercado de paredes de rocha, cuja pequena cascata ao fundo da mata , dá uma sensação de mistério e serenidade.

Muito material para nossas frentes de Estudo dia Caminhos, proto-arqueologia e arquitetura histórica e um ótimo atrativo para nossos colaboradores!