domingo, 27 de fevereiro de 2022

CACHOEIRA DO ESCORREGA/CASCATA: PERTINHO DE TUDO, MAS PRESERVADA.

Hoje fomos nos refrescar na Cachoeira do  Escorrega (-22.884438,-44.306450), das Cobras e até Cascata, como alguns chamavam, que é uma cachoeira no bairro Zungu , mais especificamente no Morro do Cantagalo, local tranquilo, com casas com gramado.

Esse atrativo natural tem uma pequena trilha , leve e com sombra, e praticamente plana, que leva até ela a partir da rua asfaltada.

Há ônibus a partir do centro da cidade e tem um ponto de ônibus (22.888900,-44.305304) para descer bem próximo (300m).


O local tem rica flora da Mata Atlântica (mata omblófila densa) e tem uma piscina artificial que há algumas décadas, na verdade fazia parte de um complexo de reservatório e elevatória de água.

Vriesea incurvata:
espécie de bromélia
da Mata Atlântica.


Um com o Todo.


Águas refrescantes e calmas, que do topo descem deslizando pela laje de granito e com uma falha no meio, faz um degrau que desce então numa segunda laje em espumas brancas...

Vale a visita!


Obs: coordenadas geodésicas aproximadas.

sábado, 19 de fevereiro de 2022

ROM: REUNIÃO ORDINÁRIA MENSAL DE INÍCIO DE ANO FEV./2022-RECOMEÇA A LOCOMOTIVA!

 Aos treze dias do mês de fevereiro de dois mil e vinte e dois, iniciamos nossa ROM , as quatorze horas e trinta e cinco minutos, na residência do Presidente Carlos Eduardo da Silva, no bairro Praia da Ribeira, Angra dos Reis. Excepcionalmente após 4 meses. Inicialmente,conforme modelo de Pauta, todos de pé para a Palavra do Presidente de boas vindas e o lembrete de aniversário de 5 anos do nosso grupo. Após, o tradicional e memorial Toque do M'araka e fomos então a seção de Notícias, entre elas, as descobertas do nosso membro Valnei Albino no bairro Pontal, como as ruínas históricas e maquinários do que parece uma fábrica ou alambique , com paredes em estilo do século XIX e ainda nossas pesquisas pioneiras na região da Serra D'água, de estruturas histórias do século XVIII/ XIX, próxima ao Caminho do Caramujo. Também informei do Oficio 059/22 do Ministério Público Federal, em que nos avisa sobre o arquivamento do Inquerito Civil 1.30.014.000298/2016-80, referente a diversos patrimônios edificados abandonados, oriundo do MP-RJ (que este enviou erroneamente), e que em 2017, reunido conosco na sede da Procuradoria da República em Angra, o então Procurador Igor prometeu destrinchar em vários ICs o calhamaço único de nossa denúncia. Teve outras notícias. 

Hora da descontração, cafezinho,
cachaça de Paraty e bate papo.

Após as Notícias, seguimos a seção de Projetos e Departamentos, onde o Presidente cobrou o Diretor Valnei do DEACCQI, das entrevistas, e enviara ao mesmo, o contato de alguns “entrevistáveis”, como pescadores idosos, caciques e lideranças quilombolas, para registro documental. Também o Presidente informou sobre o início da participação em Editais públicos para nos capitalizarmos. 

Fizemos um balanço-2021, com 8 Expedições técnicas e antropológicas de campo, em destaque a Expedição Cairuçu e a Expedição Lauburu 1 e 2, com diversas visitas in loco e também a criação pelo Presidente do Projeto Sinais- sinalização de trilhas e sítios arqueológicos.

Fomos notícia na imprensa

 Já na seção de Aprovações, Solenidades e Parcerias, aprovamos três oficios ao MPF, a Paróquia Nsa. Sra. Do Carmo (Centro) e Prefeitura de Paraty (segue cópia deles nesse livro de ATA). Também aprovamos para reinício das Expedições a partir de março/22, na seguinte sequência de agenda mas também por critério de distância da nossa sede provisória (Ribeira): Expedição Cussubá, Expedição Bracuhy+Kitumbo, Expedição Sitio Arqueológico Caputera e Expedição Sitio Arqueológico Caramujo 3. 

No Intervalo, com aquela cachaça de Paraty, café e quitutes diversos, o bate papo mais descontraído e o debate alegre sobre os rumos do povo angrense, além de causos engraçados e lembrarmos de nossas trajetórias familiares.

Regionalidade absoluta!

Em nossos encontros,valorizamos não só os produtos locais,mas também degustamos o resgate de receitas caiçaras, quilombolas e coloniais.

Nos Estudos, aprofundamos nas mudanças climáticas, de 2200 anos atrás, e a discussão de tese de Alice Toso com o grupo do arqueólogo André Carlo Colonese, publicada na revista Scientific Report, em 2021, cujo esboço reza que a escassez de alimentos com a recuada do mar, no período pré-colombiano, teria causado a diminuição da população dos chamados povos Sambaquis; também retomamos os estudos do dito quilombo do Bracuhy. 



Povo sambaquis: ilustração da
Revista Aventuras na História

Agradecemos  a grata presença da Maria Angélica e do nosso amigo trilheiro e ex Secretario de Meio Ambiente Ivan Neves e sua esposa Patrícia. Valnei acompanhou online via chamada de vídeo e Carmem (Maria do Carmo) Maria e Agnes presencial.

O M'araká indígena inicia e termina nossas reuniões,
 não como ritual religioso,
mas como memória dos primeiros povos.

Tocou o M'Araká e encerramos a R.O.M.

Recomeçam os trabalhos por nossa identidade cultural!







domingo, 30 de janeiro de 2022

E ASSIM ERAM OS CARNAVAIS CAIÇARAS:DONA NATALINA , 91 ANOS, CANTA AS MARCHINHAS DE TARITUBA, PARATY-RJ

Hoje fomos almoçar na Praia de Tarituba, em Paraty.

Local calmo, cheio de historia das danças do cateretê, ciranda, da Folia de Reis e...carnavais.


Após almoçarmos num quiosque a beira mar, fomos visitar os queridos Bosco, a Silma e a Sibelia e para nossa surpresa, tia Natalina ( Natalina Bulhões dos Reis), conhecida liderança espiritual católica daquele povoado, nos deu a graça de aparecer, levando um álbum de fotografias e ainda, lucidamente e bem humorada, no auge dos seus 91 anos, nos brindar cantando  as marchinhas de carnaval dos dois blocos de rua que outrora haviam naquela comunidade tradicional caiçara: o Verde e Amarelo e o bloco Azul e Branco. 


Filha do Sr. Benedicto Jose Bulhões, o Seu Bidico, homeopata autodidata com grande fama de sucesso em curas e ajuda aos doentes, sendo sua mae Antonia de Oliveira Bulhões que tinha dons extraordinários com oração forte que parava ate tromba d'água,  dona Natalina esteve conosco contando os milagres alcançados pela graça da sua espiritualidade,  como o causo da "rede perdida", ocorrida com seu filho Marcos e o causo da "jararacuçu que virou pedra" .

A praia...

Silma e a sua tia Natalina
Arte no quiosque

Decoracao

Canoa(ubá) tradicional

Almoço

Conta ela que foi eleita certa vez por voto, aclamada como a rainha do carnaval! 

"Fui pega de surpresa:mas como me escolheram, aceitei"!

 Uma tarde memorável!!


sábado, 29 de janeiro de 2022

SR. JOÃO GAÚCHO:O ÚLTIMO ARTÍFICE EM PEDRA

"A casa do metalúrgico não e de ferro"

Hoje estive visitando amigos na Várzea (ou "Vagem") do Inhame, Distrito de Lídice,  Rio Claro/RJ.

Fiquei horas conversando com o sr. João Conceição dos Santos, o Seu João Gaucho. Um grande profissional ferreiro e construtor de alvenaria em rocha, com centenas de obras em Angra principalmente, em muros, casas e pier, por décadas.

Entre um assunto e outro , foi me mostrando as ponteiras, a bigorna, as tenazes, o martelo e a forja com a manivela de aeração. 

Explicou que aprendeu  ainda jovem, vendo os antigos, na região do Vale do Parahyba fluminense, mas foi a necessidade que o impulsionou, pois

 " quando você tem o almoço mas não sabe se terá a janta, você trabalha e aprende um ofício". Assim, acabamos analisando antropologicamente a relação trabalho x  prazer , mais precisamente o termo latino tripalium, objeto de três pontas que batia o trigo, o linho e o milho, para debulha ou esfiapar, simbolo da fadiga, no período medieval europeu. Indiretamente, filosofamos sobre o conceito rosseauneano das virtudes naturais .

Forja

Ali discorremos sobre a beleza das múltiplas profissões e  a função na História de cada uma, desde a Idade do Ferro (+- 3 mil anos). A montagem de estradas, muros de cantaria e cangicados  tem muita antiguidade, vinda do sec. XVII ao XIX, mas com raízes tanto européias quanto indígenas americanas.


Cangicado: https://www.google.com/amp/s/
coisasdaarquitetura.wordpress.com
/2010/09/06/
tecnicas-construtivas-do-periodo-colonial-i/amp/

Porem, indiscutível a africanidade presente, ainda mais na resiliência do sr. João,  pois o aquele continente sempre teve a arte escultórica , vide as extraordinárias igrejas de pedra pura, cavadas na montanha, do Rei Lalibela, do seculo 12, na Ethiopia.

Ethiopia


Sobre as argamassas, ele explicou que raramente usavam, pois o cálculo (empírico) da massa/peso da peça rochosa fazia que ela não se deslocasse com ondas do mar, enxurradas ou movimentos naturais do terreno; mas necessitando, era uma mistura de areia e argila. Sobre o uso de prumo, a própria estrutura do gnaisse e do granito traz dificuldades, devido a superfície irregular, portanto, era a expertise deles que fazia a quase perfeição das estruturas, com as diferenças passando quase imperceptíveis aos clientes.


Pedreira de gnaisse:Jean-Baptiste Debret, 1834-39

O sr. João conheceu meus avós, seu Tonico  (Antonio Telmo) e dona Carminha (Maria do Carmo de Oliveira) e meus bisavós , dona Ana e Seu Gito  (Hermergisto). Grandes memórias!

Obviamente que hoje tem tecnologias de corte , outros profissionais da construção civil também fazendo muros, com tecnologias diversas, softwares etc, mas o pioneirismo e os macetes deste grande artífice, presentes ali, vivos, são honoráveis... são indeléveis, são únicos.


Tenazes

No olhar desse ancião, tem a história viva da região e das relações sociais , num semblante de simpatia e profundidade...cheio de ancestralidade. 

Um salve ao Seu João!

domingo, 23 de janeiro de 2022

ARTE NA CACHOEIRA:JOVENS NA CACHOEIRA DO ENCANTO

 Um sábado de beleza!A beleza natural de uma das mais belas cachoeiras da região da Costa Verde e a beleza da juventude saudável, artistas cheios de talento!

Aquarela sobre desenho: Agnes Ethel

Assim foi esse dia ensolarado , mas também com o frescor das arvores, borboletas roxas, azuis e multifloras.






Agnes, Maria Celia, Davi Predrosa, Roberta, Gil Fonseca, Allan e mais dois jovens...num passeio alegre e colorido.

Foi o 10⁰ Encontro Urban Sketchers Angra dos Reis, cachoeira do Encanto, Zungu. 

Cada um com sua lapis e aquarela...











Dos outros amigos  Joao Manoel e Gabriel

Cada um com sua visão e sentimento interpretativo do belo. 

Me emociona ver essa geração de meninos, homens, angrenses, e sim, modernos e antenados na realidade, mas também com o que e virtuoso, na alma. Estar ali, presenciando a recriação da paisagem no papel, pelas hábeis canetadas do grupo, e reviver as técnicas dos botânicos, pintores e naturalistas do seculo XVIII e XIX como Rugendas,  Debret, Eckhou, etc...






Parabéns ao amigo Davi que tenta mesclar natureza e arte. 

Parabéns Agnes pela linda tela !

Império das aguas

Mais uma vez, a tal realidade que parece tao obvia na tv, na internet, nos bytes e pixels... ou nos assuntos de conversa, na verdade se trata de um corte temporal, um lado do prisma; existem maravilhas que estão ao redor , seja num pequeno  jardim, num desenho ou numa gigantesca cachoeira... 




quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

NOTA DE PESAR: FALECE O GRIÔ E MESTRE JONGUEIRO JOSE ADRIANO DA SILVA, DO BRACUHI.

E com saudade que a terra dos Reis Magos se despede do grande Ze Adriano

Liderança  rural histórica   e mestre de sua cultura afro-brasileira ancestral, Seu Zé Adriano , como conhecido, era a ligação entre as gerações. 

Um exímio criador de "ponto" na dança do jongo. Mas também do cateretê.

Hoje silencia o o guanazamba, a puíta, o candongueiro e o cazunga.

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Bindito loado sea!

Bindito sea loado!