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domingo, 24 de maio de 2020

CAUSOS DO MEU POVO-A LENDA DA BICA DA CARIOCA, ANGRA DOS REIS-RJ

LENDAS CAIÇARAS...NOSSA CULTURA.

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O CASAL DA BICA DA CARIOCA
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Chafariz da Carioca
Apesar do progresso, a água em Angra dos Reis, no século XIX, era vendida de casa em casa, acondicionada em barris. Uma das nascentes ficava no alto da chácara da Carioca, a água era coletada em canos de bambu até jorrar em um poço na parte mais baixa. 

Em 1842, a Câmara Municipal, construiu, naquele lugar, um chafariz para que a própria população pudesse abastecer-se de água. Em torno desta fonte criaram-se várias histórias, uma delas dizia que:
Era comum à tarde, as pessoas irem à fonte da Carioca para um passeio e beber água fresca e límpida que das cinco bicas jorrava. Conta lenda que quem toma água da bica do meio, não mais esquece Angra e, se dela sair, um dia volta. 

Também era comum os rapazes esse passeio e ao nos encontramos, trocávamos olhares, sorrisos, cumprimentos e, muito raramente tinha lugar um pequeno bate papo, uma conversa. Assim, já acontecia em fins do século passado. Sinhazinhas com suas mucamas vinham dar o seu passeio. Receber a brisa refrescante e abeberar-se da água cristalina. O frescor ao pé da fonte, o aroma das acácias, das flores das paineiras e das flores silvestres que a ela circundavam, tornavam o local paradisíaco. Os jovens da época, almofadinhas ou janotas, também apreciavam esse passeio; também olhares eram trocados, sorrisos furtivos...
Inauguração

❤ Certa vez um mais afoito, chega-se à mucama e, como a pedir-lhe de beber, deixa em suas mãos, um bilhete crivado de frases lindas, cheio de juras de amor e pedindo permissão para aproximar-se da jovem escolhida e que lhe foi concedido. São poucos os encontros ao pé da fonte, mas o bastante para compreenderem que se amavam. O pai da jovem ao saber desses encontros, proíbe o passeio. O rapaz apaixonado vai a fonte todos os dias, esperando rever a musa dos seus sonhos. Mas, em vão. Triste e abatido ingressa nas fileiras dos Voluntários, para a Guerra do Paraguai. Manda-lhe ainda um recado: Ainda espera encontra-la um dia. Mesmo que seja depois de morto. A moça definha dia a dia, lamentando o amor perdido. 

Mas morre o rapaz, nos campos de batalha... A jovem termina seus dias em seu leito de dor... Dizem os antigos, que em noite de lua cheia, com o luar se infiltrando e espalhando sua luz entre as folhas da paineira, é visto duas sombras, de mãos dadas, junto a fonte.

quarta-feira, 29 de maio de 2019

CAUSOS DO MEU POVO:A LENDA DA TRILHA DO CANTAGALO, ILHA GRANDE

NOSSAS LENDAS...


NOSSO PATRIMÔNIO  IMATERIAL

 ANGRA DOS REIS

A LENDA DA TRILHA DO CANTAGALO, NA PRAIA DE PALMAS, ILHA GRANDE
Um dos piratas mais perigosos da região acumulou uma grande riqueza em metais, fruto de seus saques aos navios que levavam ouro de Minas Gerais para Portugal. Quando o volume começou a chamar a atenção da concorrência, ele resolveu esconder o tesouro no meio da ilha. Ele começou a entrar em paranóia achando que tudo e todos queriam tirar sua grana. Isso com muita propriedade, pois sua categoria profissional não era lá muito ética.


Então, uma bela noite, chamou alguns dos seus comandados e, reunindo uma grande quantidade de escravos, seguiu até o fim da trilha cavando uma grande vala onde colocou todo seu tesouro.
Terminado o processo ele deu uma estranha ordem a seus marinheiros. Que matassem todos os escravos e arrancassem seus olhos. O massacre foi grande. Os escravos não conseguiam correr, pois estavam um amarrado no outro e quando os primeiros tombaram, o peso dos cadáveres impossibilitou a fuga dos demais.

Sangue, morte e desespero tomaram conta do lugar. Até mesmo os marinheiros, acostumados a carnificina, exitaram alguns momentos, mas o medo da reação do “patrão” os impulsionou até que todos os escravos estivessem imóveis e sem seus respectivos olhos.
Então veio o inesperado. Sem mais nem menos, todos os marinheiros sentiram um aperto no coração e caíram duros aos pés do pirata. Lá estava ele, o capitão maligno com uma pilha de cadáveres a sua frente.
Ele arranca os olhos dos marinheiros, junta com os olhos dos escravos e joga tudo em cima do tesouro, enterrando ele mesmo todo o fruto daquele festim diabólico (sempre quis dizer isso).


A explicação para isso tudo é simples. O pirata era conhecido por praticar magia negra e a intenção de jogar os olhos no tesouro era para manter as almas dos mortos vigiando o local. Os marinheiros não morreram sem razão aparente. Acredita-se que ele os tenha envenenado na ceia antes de seguir na trilha.
Depois de alguns dias (acha que enterrar sozinho uma grande pilha de corpos é trabalho para uma noite apenas?), ele volta ao navio sozinho e segue rumo a novas conquistas.
O problema é que na primeira batalha após o fato, seu navio tomba. O pirata morre e leva seu segredo para o túmulo.
Hoje a trilha do Cantagalo não é muito conhecida. Não consta nem nos mapas das trilhas oficiais. Apenas os moradores locais conhecem, e indicam para alguns turistas. Se seguirem a trilha correta não terão problemas, mas se algum desavisado desviar do trecho e invadir o provável local do tesouro, ouvirá o cacarejar de um galo. É a deixa para correr o mais rápido possível, pois o que vem a seguir não é nada agradável.
Na verdade existem duas versões para o evento posterior.

1- O turista (ou turistas) será cercado pelos cadáveres putrefatos e cegos dos escravos e marinheiros, tendo o mesmo destino. Serão mortos, terão seus olhos arrancados e entrarão no time dos fantasmas!

2- Uma enorme cobra flamejante e ciclópica atacará os turistas e engolirá seus corpos. Detalhe: O corpo da cobra é formado pelos corpos dos escravos e marinheiros. Detalhe 2: Quem cacareja é a cobra!