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quarta-feira, 24 de julho de 2019

REUNIÃO NO MUSEU DE ARTE SACRA


👑🌐
REUNIÃO NO MUSEU DE ARTE SACRA
Angra dos Reis
Brasil
⚜️🌐

Hoje(22/07/19) tivemos uma proveitosa e esclarecedora reunião com a Sra. Luciana Praça, Dir. do Depto. de Patrimônio Cultural, da Sec. Mun. de Cultura.

Emersos naquele ambiente museal do MAS-Angra, acolhidos  sob o arco cruzeiro da Igreja de Nsa. Sra. da Lapa e Boa Morte, fomos continuar as tratativas,  trocas mútuas de informações e andamentos, dentro da perspectiva do documento que há quase 1 ano,  estamos sendo norteados: OFSECUP021/28082018.

Iniciamos com a entrega de uma Nossa Senhora da Cavala, feita por mim, símbolo de nossas tradições caiçaras. Luciana falou dos projetos internos  em andamento , tal como o restauro da valiosa imaginária de Nsa. Sra. do Rosário, de Mambucaba, sendo feita pelo Gilson, também a Primavera dos Museus, uma maior campanha de marketing e atratividade de público nos últimos meses e a manutenção prevista para pequenos problemas do prédio do Museu , além da reforma estrutural do Convento São Bernardino de Sena, pelo IPHAN.
Por nossa vez, informamos como as ações no Ministério Público Federal e MP-RJ se encontram .

Após, fomos pontuando a pauta:
💠Sistema de Combate a Incêndio:
🔸Resp.:Feito um estudo preliminar por um bombeiro civil e técnico da prefeitura, aguardando um projeto por uma técnica da Secretaria de Obras, adaptado ao museu. E depois , alvará do Bombeiro. Prazo previsto até dezembro.















💠Sistema de Alarme anti furto:
🔸Resp.: O que tem de infra é uma câmera na nave, uma na rua e sensores ligados a Guarda patrimonial no prédio da prefeitura. O ideal é guarda armada e viatura de apoio.
💠Ex votos (coleção riquíssima em dados de iconografia, linguística e arte pctorica/pintura):
🔸Resp.: Foram higienizados, catalogados e guardados. Fichas antigas completadas onde havia lacunas em informações.
💠 Coleção arqueológica de naufrágios (Galindo):
🔸Resp.: Estão no mini museu do INEA, no Abraão. A Casa de Cultura do Abraão foi faxinada e será preparada para exposições e cursos.
💠 Situação da Igreja de Nsa. Sra. dos Remédios da Ribeira:
🔸Resp.:A Cúria Diocesana (Bispo)foi contatada via e-mail para uma vistoria e parceria, mas sequer respondeu. Não tem maiores informações.
💠Forte do Leme, Barco Loretti, Edital de abril/maio, novos PLs :
🔸Resp.:Sobre o forte, sendo um assunto da Turisangra, mas até onde soube, está num imbróglio entre Marinha(Exército?) e Transpetro.Citei o antigo presidente da Turisangra, Miltinho em 2014/15, que tinha adiantado bastante... Ela disse que o Sec.Des. Econômico, João Carlos, na posse, também disse que tinha projeto...mas ela não tem mais detalhes e nem informações atualizadas. Sobre o Loretti, também é responsabilidade da Turisangra e nada falaram até hoje. Já sobre o tal projeto privado de "arqueologia" que foi vencedor no Edital, chegou um aviso escrito pra ela que será a fiscal do andamento, mas só soube isso.
Dos PLs ela disse que foi formada uma comissão de funcionários da SECUP para analisar possíveis Projetos de Lei .
Eu informei sobre nossos PLs que abre Lei do Tombamento e outro de "Declara registrados como bens coletivos e de domínio público" alguns bens imateriais.
💠Semana da Cultura Caiçara e nossa proposta museológica:
🔸Propomos uma exposição temporária, cuja temática fosse em consonância com a festa, no caso, "Santos de devoção do povo caiçara"; ela gostou da idéia. Disse que somente teremos de combinar as datas, pois terá a festa da Lapa(na igreja-museu) e eu expliquei que na Ilha Grande também terá o Encult. Ficamos de verificar tais datas.
Portanto, de avaliação dos presentes, que foi um encontro cordato, muito elucidativo e com notícias boas.
De bônus, encontrei com o restaurador e professor da rede estadual, Gilson, supracitado, figura quase folclórica, do meio cultural regional da Costa Verde.
🌐Agradecemos a Sra. Luciana e sua pequena mas esforçada equipe.
🌐Grato a Carmem(Maria do Carmo)- Secretária Geral, Valnei Albino-Diretor do Deaqqi, Maria Célia-Vice Presidente e a jovem Agnes, Membro Efetiva.

www.iphar.org
(via computador de mesa )

https://causasecausosangradosreis.blogspot.com/?m=0

Carlos Eduardo da Silva
Presidente
Sr. Prof. Lic.
LT em Antropologia Forense

terça-feira, 26 de março de 2019

🏛️🏦R.O.M🏦🏚️ REUNIÃO ORDINÁRIA MENSAL DO IPHAR: PAÇOCA, ACESSO A PRAIA (SERVIDÃO BICENTENÁRIA) E PROJETOS EM ANDAMENTO

🏛️🏦R.O.M🏦🏚️
REUNIÃO ORDINÁRIA MENSAL DO IPHAR

Neste domingo!
Transcorreu maravilhosamente nossa Reunião do mês de março.






O início da sessão, com o toque do M'araka e a Palavra do presidente, lembrando das 7 metas desse ano e os incentivos.
Como citação inicial, o presidente leu uma passagem do livro de Anthony Knivet, do século XVIII. No seu relato é, pela primeira vez, mencionado o vilarejo de Paraty, no Rio de Janeiro, em 1597:
"As incríveis aventuras e estranhos infortúnios de Anthony Knivet - Memórias de um aventureiro inglês que em 1591 saiu de seu país com o pirata Thomas Cavendish e foi abandonado no Brasil, entre índios canibais e colonos selvagens". 
Inicialmente, foram os informes, andamentos e notícias. Tivemos gratas vitórias recentemente em parceria com Secretarias municipais. Além de ficarmos de dar seguimento em Inquérito s no MPF e no MP-RJ.



Após, a presidência repassou o tripé recém adquirido ao Valnei, emprestado, para uso nas entrevistas do DEACQI, com idosos caiçaras, lideranças indígenas M, Bya Guarani, entre outros.
A Secretaria Geral recebeu orientações gerais.
Após, lemos o Laudo Circunstanciado redigido pela nossa Visita Técnica em parceria com o especialista sineiro e relojoeiro Manoel dos Sinos de 15/02/18.
Procedemos a leitura da Carta Aberta pelo Caminho da Pedra e o Direito de Ir e Vir.
Nosso delicioso Intervalo foi com direito de quitutes gostosos, inclusive com a paçoca caiçara, de melado , toucinho e banana .
Terminamos com os Estudos sobre a Igreja de Nsa. Sra. dos Remédios da Ribeira e sua servidão) acesso a praia fechada e o estudo sobre as fortificações da Ponta Leste Muito rico!









O toque do M'ARAKA encerrou a ROM de hoje.
Muito produtiva , num clima de amizade.
O brasileiro sempre será um mal visto o mundo.Um mero reclamão inerte.
Mas nosso grupo é de pessoas seletas, verdadeiramente ativas e cheias de elevada sinergia!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

UMA TERRA DE FORTES....

Conflitos sócio-ambientais e territorialidade caiçara
  
“A criação de áreas naturais protegidas em territórios ocupados por sociedades pré-industriais ou tradicionais é vista por estas populações locais como uma usurpação de seus direitos sagrados à terra onde viveram os seus antepassados, o espaço coletivo no qual se realiza o seu
modo de vida distinto do urbano industrial”. (Diegues, 2004:65)
 

A imposição de neomitos sobre a natureza que seria intocada serve como justificação para a geração de áreas protegidas que desfavorecem a população local para favorecerem a população urbana. Esta relação vertical do poder público sobre o meio ambiente “em nome da nação” tem gerado conflitos graves. Em muitos casos, eles têm acarretado a expulsão de moradores tradicionais de seus territórios ancestrais, como exige a legislação referente ás unidades de conservação restritivas.
Reconstituição de uma família caiçara tradicional:
No fundo, a Igreja de Nossa Senhora dos Remédios da Ribeira (1772),
na Baía da Ribeira, em Angra dos Reis, RJ. Agnes(criança),
Eduardo(paletó), Maria Célia(sinhá),
Cristina Perfeito(mucama) e Maia(padre).
 
Os moradores locais vêem este empreendimento como um roubo de seu patrimônio histórico, de sua cultura, sua identidade, sua moradia e seu espaço, tanto local de trabalho quanto provedor das ferramentas de trabalho. Eles reivindicam direitos estáveis de acesso, controle ou uso da totalidade ou parte dos recursos aí existentes.
Os recursos existentes em uma comunidade caiçara são de acesso comunitário.

“Essas formas de apropriação comum de espaços e recursos naturais renováveis se caracterizam pela utilização comunal (comum, comunitária) de determinados espaços e recursos por meio do extrativismo vegetal (cipós, fibras, ervas medicinais da floresta), do extrativismo animal (caça,pesca), e da pequena agricultura itinerante”.(Diegues, 2002:66)
Observamos na organização do espaço caiçara a raridade de cercas, servindo, quando existem, para impedir a entrada de animais a horta perto da casa.
A transferência de um espaço caiçara coletivo ou comunitário para uma área estatal de acesso restrito administrada por um órgão ambiental do governo que possui diretrizes claras de atuação, as quais limitam substancialmente os direitos dos moradores,
constitui um choque social, cultural e, sobretudo vital para esta população privada de sua rotina de subsistência.

A cerca caiçara: Deu origem ao nome dos povos tradicionais sudestinos do litoral.
Cercas e muros praticamente inexistiam entre as comunidades antigas, dos povos litorêneos.


Territorialidade física
 
 
A territorialidade caiçara se constrói diariamente sob práticas que legitimam o seu poder de ação sobre o seu espaço vivido. O caiçara têm o domínio sobre o seu espaço e sobre suas técnicas de trabalho. Estas técnicas são aplicadas na apropriação, na manutenção e na produção deste espaço, lhe garantem sua permanência, seu poder e representatividade através dos seus objetos e suas localizações sobre este espaço.
Marcos Testemunhos: São os "pais" do GPS; são as georeferências, mas também marcam a posse estatal.
O manejo espacial que o caiçara pratica em seu dia-a-dia, em sua localidade distante do poder público, na qual a organização territorial é coletiva e advém de seu entendimento de composição e disposição espacial. Nestas praias isoladas umas das outras e dos centros urbanos, as informações e conhecimentos são passados e adquiridos de boca em boca com a devida importância do papel exercido pelo grupo familiar. A territorialidade se dá devido à acumulação de saberes tradicionais, transmitidos de pai para filho há muitas gerações. Estes saberes tradicionais são materializados através do trabalho e da produção caiçara.
O antigo e o novo: barco tradicional caiçara e ao fundo, invasão no bairro Camorim, em Angra.
 
As nove escolas municipais da Ilha Grande são fonte de informação e representam para as localidades onde estão situadas, a única representação do poder público operante no local e proximidades. Observamos que quando os mais velhos relatam sobre seus antepassados, estes os descrevem fazendo atividades que são de suas práticas cotidianas. Esta cultura independente, caiçara, possui como principal transmissora de conhecimento, a sabedoria popular transmitida tradicionalmente de boca em boca.
A interação com a mata atlântica e o mar é condicionante para a incorporação de uma série de conhecimentos inerentes á vida nela. Desta forma, seu abastecimento e a
sua sobrevivência neste meio são fruto de sua própria construção é garantido ao caiçara pela sua própria força e vontade.
 
Alexandre Cigagna Wiefels