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sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

AMOR CAIÇARA: UMA ANÁLISE ANTROPOLÓGICA.

 Uma fotografia é mais que um registro de um momento afetivo: é um documento. E na historiografia, com os recursos e conhecimentos transversais técnicos aplicados de arqueologia dos costumes, podemos extrair diversos elementos característicos no recorte do tempo e do território, mediante a própria estética mostrada.



O bairro da Praia do Bonfim ainda hoje, embora densamente povoado e com jeito urbano, possui ainda uma aura de bucolicidade caiçara, principalmente nas horas da madrugada no amanhecer e finais de tarde com a Capela do Senhor do Bonfim de fundo na paisagem e cigarras cantando com a brisa do mar a tarde...




O resultado:




Nesse sentido, segue um resumo de um laboratório mais profundo que fiz tendo como material uma fotografia angrense.

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

EXPEDIÇÃO TÉCNICA GAMBOA 2: ferro, água e pedra, em mais uma pesquisa inédita!

 1- Início

O planejamento dessa missão foi elaborado baseando o conhecimento territorial empírico do Vagner Carneiro , nosso guia local e cruzando dados com narrativas históricas do século XIX , mapas antigos, documentos coloniais e ainda, estudo do relevo da região da Mata Atlântica e as escarpas da Serra do Sinfrônio e Serra D'água.


Esq. p/ direita: Eduardo, Ivan e Vagner


Mapa com caminhos e estradas do século XIX.


2- A Lenda e a História.

Desde o século XVI, como já citamos na Expedição Técnica Arandú , a região montanhosa e suas cadeias de formação granítica do maciço da Serra do Mar sempre tiveram relatos e evidências de caminhos milenares de ligação entre o Vale do Parahyba e o litoral da Baia da Ilha Grande. A expansão antrópica se fez por desfiladeiros ou gargantas . 

O aproveitamento pós-cabralino desses circuitos, exercido pela pressão de demarcação territorial em primeiro plano, mas depois pelo comércio aurífero e o café em seguida, produziu uma verdadeira tecitura de rotas e interligações . 

Moeda vigente.

Emmanuel Pohl,
um dos poucos
 a registrar os caminhos
 e passou nas montanhas ,
em 1821.

Mulher Puri:
tinham ligações
com o litoral e
percorriam essas selvas.

A população local e mais antiga, sempre teve no seu imaginário coletivo a presença quase fantasmagórica e na oralidade, do Caminho (e posterior Estrada) que estamos registrando. Os quilombolas , os mateiros, caipiras e caçadores sempre comentaram os pontos -referência como a Pedra Ponteira, a Pedra Pingadeira, o Picadão , etc...tudo desconhecido pelos ditos intelectuais angrenses e de nível estadual/nacional é essa geo - culturalidade só pode ser anotada, com o nosso trabalho de campo e de infiltração antropológica, numa dialética sincera e escuta ativa daqueles que vivem esse ambiente no cotidiano.

Único resquício do
 piso original sem erosão.

Vale da Ribeira

Cachoeira da Ponteira





Antiga malha
 ferroviária EFOM,
depois Centro Atlântica
 e agora,
devolvida ao DNIT(2013)




Conforme se avança
 a Expedição,
a inclinação aumenta .

3- A Expedição : origem do nome.

Em 2022, percorremos parte da Estrada que acreditamos ter sido usada para o traslado da comitiva do botânico e pesquisador austríaco Emmanuel Pohl, na Expedição Gamboa , e os estudos continuaram , com aprofundamento em parcas fontes   literárias e mapas antigos. Tudo sem muito lastro. O viajante Pohl esteve numa choupana , na noite anterior a chegar no atual Centro de Angra , que segundo ele, ficava numa área chamada Gamboa...daí o nome.


4- O dia da trilha:  o aguaceiro e a chuva de conhecimento.

O sábado de setembro , o dia 13 não estava com boa previsão climática : seria um dia nublado mas com pouca chance de chuva; nos enganamos. Iniciando no bairro Belém e com parte percorrida na estrada ferroviária da antiga EFOM/Estrada de Ferro Centro Atlântica (FCA) administrada anteriormente pela VLI, o trecho da EF-045 e agora devolvida ao DNIT, e logo após, entramos na floresta e nos deparamos com um sítio arqueo-histórico , que denominamos "vigia", pela conformidade física das estruturas. A presença de limoeiros e plantas de jardim exóticas na mata , mesmo antes de identificarmos as estruturas de rocha lavrada, já denunciavam fixação humana. Mas ali começou uma tempestade que praticamente nos acompanhou durante todo o tempo da trilha restante .

O temporal não transbordou os córregos, mas a crista das montanhas estavam sendo tomadas de nuvens . Embora ainda estejamos longe do período de força pluvial (verão), setembro já começam os arranjos de temperatura e pressão.





5- Metodologia:os sítios arqueológicos inéditos

Conseguimos alcançar arraiais  e conjuntos de estruturas que dividimos em três sítios : o "Sítio Vigia", o "Sítio Ponte" e o "Sítio Barreira". 

Destarte essas denominações, ainda temos o próprio piso e obras de arte de engenharia da Estrada, que aparecem em alguns lugares, sendo na maior parte erodido ou sob vegetação.














5.1- Medições, tomadas de fotografia e registro de coordenadas .

Como praxe, fizemos o registro de fotografias em vários ângulos para posterior identificação de técnicas de edificação e também de estilística . Além disso, medimos os resquícios visíveis dos imóveis para reconstrução de modelos pré-visuais  comparativos.

Infelizmente, com a tempestade, os aparelhos e aplicativos tiveram panes temporárias  e voltaremos para o registro geodésico.

5.2- Estilísticas conflitantes e modelos gráficos.

A seguir, apresento os moldes baseados unicamente nas partes ainda eretas e  plantas baixas possíveis  em muretas detectadas; além do material lítico, botânico e argiloso  prospectados.

Assim, foram separados em Sítio Vigia (A), Sítio Ponte (B1 e B2) e Sítio "Barreira" C1 e C2). Sendo:

🔸A- Imóveis de apoio de taipa de pilão ou mão, com vergas de madeira e piso de adobe. Cobertura de sapê ou palmeira local. Função militar/estatal.

🔸B1- Passadiço/tabuleiro simples e retilíneo de madeira , sem pilones e com apoios/cabeceiras retas de rocha de mina local e de morfologia granítica. ; técnica rudimentar de pedra seca dita de mão e semi-canjicada.

🔸B2-Passadiço/tabuleiro  elaborado , com arcos de reforço e viga principal robusta .

🔸C1- Arrimo ígneo  formando mega estrutura de terraça em L com 90° e estilística pré-imoerial /não canjicada . Imóveis de taipa de pilão ou mão com vergas de madeira e assoalho sem piso trabalhado aparente. Função militar /estatal.

🔸C2- Imóvel aberto aos lados, de pilares de madeira e cobertura rudimentar de sapê ou palha local. Função de poio ao fluxo ; civil e comercial. 

🔴Observação: as projeções a seguir pertencem ao IPHAR e são inéditas ; citar a fonte em quaisquer outras publicações.

Projeto A

Projeto B1

Projeto B2
 
Projeto C1

Projeto C2

6- Epílogo

As pesquisas por prospecção de campo continuam. Nesta trilha , além do objetivo que era identificar , mapear e compreender   regionalmente o fluxo antropológico , também serviu para mais informações sobre a situação da ferrovia centenária , seus equipamentos e também como ampliação do nosso projeto de taxonomia  botânica de endemismo.

Continuam as pesquisas...

Carlos Eduardo da Silva, 

ProfLic, 15/09/25









































































segunda-feira, 8 de junho de 2020

OS MESTRES DA FOLIA DO DIVINO E DA FOLIA DE REIS EM ANGRA DOS REIS E REGIÃO

🕊️🎻♨️👑🔔
OS MESTRES DE FOLIA

Tradição que vem de raízes lusitanas, mas elementos africanos (instrumentos) e indígenas (sonoridades vocais).


🙏A Sonoridade
Segundo Kilza Setti, em seu livro "Ubatuba nos Cantos das Praias" (pág.181), de doutorado sobre a música, ela identificou a "segunda voz", com algumas variantes nominais, tais como Tipe ou Tripe, que vem do triplus medieval.
É aquela voz aguda, que ouvimos na Folia do Divino, por exemplo.

 
🙏O risco de extinção
Com as seitas pseudo cristãs norte americanizadas, os povoados alegres e festivos, foram demonizando essas tradições de visitação as casas e isolando as pessoas numa religiosidade egoísta, pessoal e intimista.
Assim, pasteurizando tudo e eliminando culturas locais, as comunidades tradicionais, sejam caiçaras (litorâneas) quanto caipiras (interior), foram ficando sem uma conteúdo local, insossas.
Fáceis de manejar politicamente ou até facilitando o tráfico de entorpecentes e depressão.

🙏Ação social:
em praias distantes, só acessíveis por trilhas e canoas...a Folia de Reis, tanto no período pré Natalino e Natalino e em julho, na Festa do Divino, servia não só como permanente elo de fé, mas também para levar notícias de famílias, amigos e da cidade.


Mas ainda insiste a sobreviver em vários bairros e cidades, inclusive com Encontros regionais ou estaduais.

🙏 Tradição angrense e regional
❤️Em Angra dos Reis sempre houve uma profusão de muitos grupos de Folia, tanto de Reis (Natal) quanto do Divino (Pentecostes).




Na foto geral (no início desta postagem), estão reunidos o Mestre Codrato, Mestre Cananéia (pai da nossa vizinha no bairro Praia da Ribeira e amiga Ilma Chateaubriand) e Mestre Hélio, todos caiçaras!


Houve ainda o Mestre Manoel Ramos, capixaba, que viveu e animou muitos anos a Japuiba e arredores. E tantos outros só existindo em registros da memória afetiva...

Viva a Folia de Reis!

sábado, 2 de maio de 2020

EXPEDIÇÃO CAJAÍBA:A arquitetura mágica

🌴🌊⛵👒🦈
 EXPEDIÇÃO CAJAÍBA
🌴🐅👒🦀🧺
16-18/09/2019
°°°°°
_A ARQUITETURA MÁGICA

A região que contempla a Reserva Ecológica  Estadual da Juatinga, que contém várias comunidades tradicionais caiçaras em diversas praias, possui uma característica única no planeta:


🎨muralismo e retomada da técnica construtiva da taipa de mão,  em suas habitações.


A temática é a tropicalidade, em seus aspectos da fauna, flora ou símbolos culturais. emoldurando janelas, paredes, portas, postes...formando uma paisagem bucólica e positiva.





A seguir, alguns aspectos registrados durante a trilha de 17/08/19: