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quinta-feira, 1 de março de 2018

TRILHA À CAIÇARA EM PARATY

⛵🌊🌎
TRILHA DA VILA ORATÓRIO ATÉ PRAIA DE PONTA NEGRA, PARATY.
⛵🌎🌊
3/2/18
Trilhas citadas até por aventureiros como Hans Staden no século XVI...este que esteve entre tabas Tupinambás ou Guayanases...
O patrimônio ancestral de um povo, não são apenas as técnicas de pesca, danças, culinária local e única ou os modos de falar...o ambiente, a paisagem natural com o humano ali inserido em quase harmonia também são uma herança.



Ponte de cabo de aço sobre Galheta




Nossos companheiros de trilha
moqueca

"portal dos sacis"


Trilha fácil, por ser aberta e sem vegetação porém densa e cansativa pelos aclives e declives.
É nível médio, com trilha muito boa e manejada da Vila Oratório até a Praia do Sono...inclusive com infraestrutura feita tanto. por moradores quanto por guardas-parque.
Belezas e atrativos incontáveis...
Pegamos no início uma chuvinha
..mas os sons e odores da floresta são mágicos.Formações naturais...
 Há alguns atoleiros...e várias pedras.
 Depois da Praia do Sono...
Subimos um morro bem íngreme. Extenuante.
Depois chegamos a belíssima Praia de Antigos e Antiguinhos...inclusive lá há inscrições jesuítas nas pedras...daí o nome.
Na Praia da Galheta tem uma pinguela ao estilo Indiana Jones...
Na Ponta Negra...que ainda conserva hábitos comunitários caiçaras e estilo de vida tradicional...há uma beleza cênica rica.
E voltamos de barco...


O próprio termo "comunidade", usado genericamente e de forma errada para as favelas, dentro de um bommocismo mediático,  é aplicável aos vilarejos caiçaras dessa região da Área de Proteção Ambiental do Cairuçu de forma perfeita: sentimentos de pertença, rateio entre os prestadores, de contingentes de turistas aos diversos serviços, tentativa de não lançamento de esgoto e lixo nos espelhos d'agua, mantença de costumes e construções tradicionais perceptíveis.
É o caso de forma mais explicitada na Ponta Negra, Paraty.


quinta-feira, 16 de março de 2017

ESTUDOS DE INDUMENTÁRIA:VESTIMENTAS DO POVO CAIÇARA - TRAJES MASCULINOS


 
Foto: cesto de tipiti com tamancos,
na sede dos Grupo Folclórico de Tarituba,

em Paraty.Foto:Minha, 2015
Típico calçado de matéria natural:
tamanquinho  caiçara
Pescador de Ubatuba; seus trajes nessa foto fortuita,
 comprovam o padrão básico de vestimenta.
 


A calça: O traje típico do profissional do mar, ainda que pescador artesanal - nos moldes do linguajar jurídico brasileiro - e do morador praiano, da cultura caiçara, era a calça até o joelho ou canela, para não molhar na saída/embarque das canoas ou na pesca a beira mar.

As calças eram de tecido grosso, como brim e tinham um cinto de corda trançada ou de couro.

Por que não usavam bermuda??

Alguns até usavam, mas a maioria, católica e no âmbito de um ethos próprio e temporal, se cobria com mais pudor.

A camisa era de tecido mais fino, de algodão cru ou até de casimira. Era usada dobrada, até o antebraço.Só nas missas e festas , se usava fechada nos punhos.
O lenço:O lenço era de tecidos diversos, mas o mais comum eram panos rústicos , que tivessem absorção. Era multiuso, como secar o suor, servia como guardanapo e até estancava  sangue de algum pequeno corte.

O chapéu de palha, era a proteção FPS do povo antigo, contra os raios ultravioletas.

Lembro do meu avô Tonico, com 93 anos, sem uma ruga e olha que era loiro de olhos verdes!
Hoje o tamanquinho é feito com fitas mais modernas, de tecidos sintèticos,
mais confortáveis, mas ainda com solado de madeira.

Os povos colonizadores fronteiriços á grande Mata Atlântica caputera, ou seja, mata escura, se adaptaram ao viver na fronteira entre as ondas e o interior regional, onde viviam e tinham relações esporádicas, mas comuns, com os caipiras.
São mestres de resistência!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

TECNOLOGIA CAIÇARA: DOS PETRECHOS À FIBRA ÓTICA


DOS PETRECHOS ÀS FIBRAS ÓTICAS

A noção pós moderna do termo tecnologia, nos remete a objetos e sistemas com materiais fosforescentes, nanotecnológicos e microssistêmicos de interligação remota....

Casa na Praia de Palmas, na Ilha Grande,
em Angra dos Reis,
ainda no estilo tradicional e
sem materiais agressivos
e sintéticos de construção.

Foto de Acervo pessoal; 2016
Porém, o conceito de tecnologia, no ramo da antropologia, sim, é também uma forma adaptativa de um povo, ao meio natural, produzindo conhecimento mais pela força da perpetuação genética, do que propriamente uma evolução de invento pré existente.  


Modo de fundação de casa de pau a pique


Assim, os petrechos de pesca e caça, a sabedoria da lida dos humores oceânicos e ainda as formas ancestrais de engenharia imobiliária, naturoterapia e modus vivendi em geral formam um banco quase infindável de técnicas multiétnicas, mas de tronco de base lusíada em seu substrato sociológico fundamental. Esse banco de informações pode ser acessado somente pelo contato intergeracional, pois esse jogo de vai e vem, retroalimenta a tradição de oralidade.
Nesse sentido, falar em tecnologia caiçara, de forte teor autóctone, não seria apenas um conteúdo de tendência tecnicista-acadêmico, mas acima de tudo a citação explícita de construção civilizatória local, ainda que na grande parte, com matéria de base transitória e de extração primitiva. Mas não é isso mesmo a tecnologia?
Indígena guarani trança um vaso com palha,
com claro código binário, inclusive nas cores.
Foto do meu acervo pessoal, Paraty, 2013.
Assim, a cestaria do tipiti, do cipopeva e de outros objetos artesanais, evoca a inteligência e o abstracionismo necessário dos grupamentos tradicionais da gente praieira (ainda que em moradias esparsas). A fórmula binária 0-1 ou 1-0, está presente fortemente no trançado desse utensílios de palha e cipó.
Cestos, redes, frascos, toalhas, luminárias e até mesmo tamboretes, formam um acervo rico em entrelaços verticais e horizontais.
Também não é mera criatividade artística, de lazer, mas ao contrário, tem função real e utilitária. Mas design está presente e no ideal de agradar inclusive; são pessoas e interagem.
Cestaria do tronco etnológico da nação Guarani.
Material leve,
fácil de manusear,porém resistente.
Foto do meu acervo pessoal; Paraty, 2013.
A decodificação dos rituais sociais presentes nos linguajares e formas de chegança ao vizinho ou de relação psicofamiliar/ sexual, constitui formas também de elaborado e complexo mas subentendido manual de operação; verdadeiro passo a passo para mantença dos costumes comportamentais e reprodução material.
Outra tecnologia caiçara e talvez das mais presentes, são as técnicas de palamenta, ou seja, tudo que é necessário para a embarcação e ainda os métodos construtivos de armação. São cálculos exatos de arqueamento, números combinados estruturais, medições com trena para abastar o madeiramento e ainda prumo para partes retas. Até mesmo percepção espacial para conforto nos cômodos internos, ou seja, arquitetura.
Há muitos saberes empregados na fabricação de inúmeros objetos, veículos, vestuário e paramedicina.

Sim, temos tecnologia badjeca!

domingo, 22 de maio de 2016

DO FILÉ DE SOROROCA Á CIRANDA: FESTA DA SANTA CRUZ , TARITUBA, RIO, BRASIL

Cores e sabores de um povo em extinção.
Filé de pescada ou sororoca e lula a dorê
Capela da Santa Cruz

FESTA DE SANTA CRUZ, NA PRAIA DE TARITUBA, EM PARATY, RIO, BRASIL.
Com origem ainda sendo estudada por pesquisadores e  folcloristas, esta festa religiosa, mas também de folguedo tipicamente caiçara, remete provavelmente ao século XVIII, quando as comunidades de pescadores açorianos(portugueses) e caboclos indígenas se organizaram e foram influenciados pelos freis da Ordem Jesuíta.
Ocorre em maio, com procissões, Folia do Divino e dança da Ciranda e outros ritmos oriundos da mesma.
Rico em sonoridade única dos cânticos entoados, com vozes guturais e instrumentos que mesclam a origem negra, indígena e européia.
Jantamos no quiosque do Marcelo"s Bar, com filé de pescadinha e lula a dorê.
Comunidade tradicional com falas e cadência de vida natural, mas muito pressionada pelos vícios urbanos como o uso de drogas, ritmos barulhentos e alinantes como o funk e pela pressão imobiliaria e favelização.
Mas resistem!! 
Agnes e Maria

Decoração de conchas, moluscos
e canoa na casa da Sibélia

petrechos de pesca numa das diversas taperas

"Pardinho " Bulhões tocando o bumbo

Andor enfeitado.

Esse ano nós fomos.
No último dia, domingo.
Abraçar os amigos, 
sentir os sabores, ouvir as rezas e as danças...uma experiência única no Brasil e no mundo...bem localizada!