Mostrando postagens com marcador iphan. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador iphan. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

LAVABO DA SACRISTIA DO CONVENTO SÃO BERNARDINO DE SENA.


⚜️ Período: século XVIII; 1763. Doado por Dom José I, rei português.
⚜️Autoria e origem: autor artístico desconhecido. Origem portuguesa.
⚜️Estilo e técnica: Barroco; moldura em cantaria. Chumbado na parede por encaixe. Há reforço moderno do século XX.
⚜️Material: mármore de Lioz.
⚜️Obs: não é pia batismal; é um erro histórico. As pias batismais não tinham água corrente(como atestam nesse caso, as torneiras).


 🔴 Já apresenta marcas de perda de material rochoso...
Jaz sofrendo no tempo, na chuva , ventos , sol e principalmente a poluição via chuvas ácidas desde que no fim do século XIX o telhado ruiu. 
De forma ridícula, o IPHAN e a Prefeitura não cobrem a peça por questões meramente de desprezo ao passado e burocracia lendária("não pode mexer; não pode modificar o entorno"). Um pequeno telhado moderno, de acrílico transparente, além de destacar a antiguidade do objeto, por contraste, também protegeria das intempéries

domingo, 17 de fevereiro de 2019

INSTITUTO RECEBE E ACOMPANHA VISITA TÉCNICA AO RELÓGIO BICENTENÁRIO E CARRILHÕES DE 1784


IPHAR RECEBE E ACOMPANHA VISTORIA TÉCNICA DO RELÓGIO  HISTÓRICO  BICENTENÁRIO E SINOS DE 1784.
🔔🏛🛠



A convite do Instituto, hoje estiveram reunidos 
numa comitiva,  especialistas em restauro de carrilhões , engenharia de relógios e Patrimônio histórico.
A visita foi feita no Convento São  Bernardino de Sena com o relojoeiro e sineiro.
De expertise internacional, Sr. Manoel Cosme dos Santos, o Manoel dos Sinos e restauradora Caroline Macedo, avaliaram o relógio  alemão do século  XVIII e o conjunto de dois címbalos.
Manoel tem vasta gama de cursos na Holanda, Bélgica  e outros locais.

Preliminarmente as engrenagens apresentam severidade na corrosão, faltam poucas peças  e mesmo assim o pêndulo  funcionou. Também a sonoridade dos sinos está  preservada, afinação natural satisfatória e higidez do material. Mas o trabalho de restauração  será  delicado. Inclusive com possível  confecção  metalúrgica  de algumas peças caso não  sejam encontradas.























Acompanhados pela Vice Presidente Maria Célia e a Membro Efetiva, Maria do Carmo Firmiano, nossa  Carmem, se encantaram com a monumentalidade do prédio  do Convento, mas se espantaram com objetos históricos amontoados, pinturas artísticas  centenárias  originais de oratórios  de madeira com ferramentas e entulhos por cima, sujeira para todo lado, arquivo do Depto. de Patrimônio da Prefeitura jogado no chão etc.



PARTE 02
🔔🏛🛠
Infelizmente percebemos vários  problemas no espaço  cultural do Convento São  Bernardino de Sena e sede do Departamento de Patrimônio  da Prefeitura.

1- O enorme espaço  da nave central (igreja), de local de exposições, virou depósito.
2-A obra do IPHAN (federal), por mais absurdo que pareça, pois é  a instituição  responsável  pela salvaguarda do patrimônio  nacional, a obra, via uma empresa terceirizada, cometeu vários  erros e até  crimes contra o patrimônio, como a perda irreparável de centenas de telhas históricas por transporte errado por cordas (andaimes), erro de projeto ao refazer os beirais, além  de irregularidades trabalhistas como andaimes sem escora/sapata.
3-O escritório  do Departamento  Municipal de Patrimônio  Cultural, ligado a Secretaria Municipal de Cultura, está  bagunçado , com o Arquivo totalmente amontoado, empoeirado e misturado de livros com figurinos do Divino e restos de material .Há  documentos antigos mofando, baratas e gavetas caídas.
4-A obra feita em 2016, com verba federal via Ministério  Público  Federal, de aproximadamente R$ 200.000,00, com a troca do telhado dos corredores laterais, está  totalmente comprometida e mal feita, com telhas saindo, goteiras e enxurradas.
5- A sala atrás  do altar, dita "Sala de Pedra", virou um depósito  infecto , sujo e cheio de quinquilharias misturadas com peças  históricas  e objetos de arte totalmente abandonados.

Já  avisei a Secretária  Marlene Ponciano.



Fiz um intratur, explicando cada cômodo  e seus usos naqueles séculos...e levando-os pelos tempos passados e abrindo vórtices  nas suas imaginações, com causos e lendas.

Atualização: No mesmo ano, nos inscrevemos no Edital público de Cultural  , com 3 projetos de restauro (incluía os sinos da Igreja Freguesia de Sant'Anna, Convento do Carmo e Igreja da Ribeira)  e também apresentamos o orçamento da empresa do Manoel em reunião com  a Secretariat de Cultura e nós do IPHAR...adivinha?
Disseram que 72 mil era muito caro...e o resultado do edital? Eliminados.


sábado, 22 de julho de 2017

CASARÃO DE MAMBUCABA: SÍMBOLO DE DUAS ÉPOCAS

O Distrito de Mambucaba faz parte de Angra dos Reis; com alguns casarios antigos remanescentes do século XVIII e XIX, é  atualmente um espectro do que foi na efervescência do período  vivido entre o século XVI até a metade do XVIII., inicialmente com as minas auríferas  de Minas Gerais e Goiás e depois com a produção  cafeicultora e suas respectivas demandas de tecidos, ferramentas, pequenos luxos como as porcelanas e toda sorte de produtos vindos das sedes régias.
Sua igreja (Nossa Sra.do Rosário ), tem frontão com mescla de neoclássico e barroco, com o retábulo  interno de inspiração  rococó .
O conjunto de todo o bairro é tombado (protegido por lei federal ), desde 1982.
Porém , a migração  em massa dos anos 1970 a 2000, devido às grandes obras federais...


...e  investimentos privados, sem planejamento, como usina as nucleares, estaleiro e resorts, trouxeram a especulação  imobiliária , invasões  e o pior, a quebra do nexo tênue  que trazia a significação entre os caiçaras originais e sua memória .
Assim, um dos exemplos dessa substituição  cultural foi a saga do então  casarão  situado na Rua Godofredo das Neves...

Desde 1988 ainda na gestão  do prefeito Reseck, onde presume-se ter sido doado ao Poder Público , com posse definitiva pelo prefeito Neirobis Kasuo Nagae, foi esquecido e caiu pelas intempéries, furtos e vandalismos.

Vez ou outra, movimentos populares e discussões retomam a temática , mas a influência  político-partidária  isola os grupos e afasta os neutros.

Só  um projeto destemido, nos moldes do pós guerra europeu (uso de armações  de metálicas, vidro e outros materiais leves e translúcidos) com talvez o uso racional e honesto de verbas das contrapartidas da renovação  dos royalties petrolíferos ou do "habite-se" legal   , trará  para todo o Distrito e região , um espaço  de formação  e produção  cultural!
4


domingo, 8 de janeiro de 2017

FESTA DO DIVINO DE PARATY, RJ, BRASIL: PATRIMÔNIO CULTURAL BRASILEIRO

Nicho de andor, com a efígie do Divino Espírito Santo

A FESTA CAIÇARA
A Festa é a mais esperada pelos paratienses que reafirmam durante os rituais sua tradição e devoção ao Divino Espírito Santo
O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, reunido na sede do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Brasília, aprovou nesta quarta-feira, dia 3 de abril, o Registro da Festa do Divino Espírito Santo de Paraty, no Rio de Janeiro, como Patrimônio Cultural Brasileiro. A proposta para a proteção da manifestação cultural foi encaminhada ao Departamento de Patrimônio Imaterial (DPI/Iphan) pelo Instituto Histórico e Artístico de Paraty (IHAP), com a anuência da comunidade.
De acordo com o parecer do DPI sobre a festividade (em anexo no final da página), trata-se de uma celebração representativa da diversidade e da singularidade, com elementos próprios, fundamental para a construção e afirmação da identidade cultural do paratiense. A Festa possui, ainda, relevância nacional, na medida em que traz elementos essenciais para a memória, a identidade e a formação da sociedade brasileira, além de ser uma referência cultural dinâmica e de longa continuidade histórica.
Durante as procissões 
e cortejos festivos,
as casas e comércios
se enfeitam com rendas,
bandeiras e 
efígies do Espírito Santo.

Paraty e a Festa do Divino
A celebração do Espírito Santo é uma manifestação cultural e religiosa, de origem portuguesa, disseminada no período da colonização e ainda hoje presente em todas as regiões do Brasil, com variações em torno de uma estrutura básica: a Folia, a Coroação de um imperador, e o Império do Divino, símbolos principais do ritual. As festas do Divino constituem-se numa relação de troca com a divindade. São festas de agradecimento, de pagamento de promessas, de cooperação entre os indivíduos da comunidade.


Adorno do Luzeiro
do Cruzeiro Central
da Igreja Matriz
de Nossa Sra. dos Remédios,
 de Paraty.
Em Paraty, a festa vem incorporando outros ritos e representações que agregam elementos próprios e específicos relacionados à história e à formação de sua sociedade. É uma celebração profundamente enraizada no cotidiano dos moradores, um espaço de reiteração de sua identidade e determinante dos padrões de sociabilidade local. Constituída por vários rituais religiosos e expressões culturais, a Festa se realiza a cada ano, iniciando no Domingo de Páscoa com o levantamento do mastro. Suas manifestações e rituais ocorrem ao longo da semana que antecede o Domingo de Pentecostes, principal dia da festa. A celebração propicia momentos importantes, símbolos de caridade e de colaboração entre a comunidade, como o almoço do Divino, a distribuição de carne abençoada e de doces.
A meu ver e de alguns historiadores,
a figura de um menino,
é uma forma jocosa de representar
tanto a pureza, necessária aos mandatários(e tão rara),
 mas também a pequenez dos poderes humanos
perante a divindade. Era uma crítica social.
Fazem parte dos rituais manifestações como a procissão que segue da casa dos festeiros e carrega os signos da devoção (quadro, bandeiras, bastão, o mundo e a pomba); a Folia do Divino, encarregada de anunciar e orientar todas as cerimônias inerentes à festividade, e que passa de casa em casa, visitando os fiéis, acompanha as procissões, entre outras. O Império do Divino, montado na casa do festeiro, onde ficam expostas as insígnias imperiais e as bandeiras; a Alvorada Festiva com a Banda Santa Cecília, que despertam a cidade no dia da festa; o bando precatório, encarregado da esmolação; as ladainhas, procissões, novenas, missas, a coroação do imperador e a representação da soltura de um preso, também compõem a festa do Divino de Paraty que inclui, ainda, outras manifestações culturais como os chamados bonecos folclóricos: o Boi-de-pano, ou Boi-da-festa, o Cavalinho e o Capinha, o Peneirinha e a Miota, ou Minhota.
Além disso, estão presentes os divertimentos como as competições esportivas, as gincanas, os concursos, os musicais, os shows de calouros. O bingão do Divino, que acontece antes da festa, é um momento de socialização e de interrupção da vida cotidiana, e ainda arrecada recursos para a celebração.
Agnes e Maria Célia, meus tesouros divinos!

Em Paraty, a cidade das festas, a do Divino Espírito Santo é a mais importante e complexa. Para os moradores da cidade, é mais aguardada do que o Natal. A festa compreende diversos espaços, como a Igreja Matriz Nossa Senhora dos Remédios, a Praça da Matriz e diversas ruas por onde passa a procissão. No domingo de Pentecostes, a Alvorada acorda a comunidade. A procissão sai da casa do festeiro carregando o andor com o Resplendor do Divino Espírito Santo, e segue rumo à igreja. No fim do dia, a Missa em Ação de Graças anuncia os festeiros do próximo ano e uma grande queima de fogos encerra a Festa do Divino Espírito Santo.
A partir do Registro como Patrimônio Cultural do Brasil, estão previstas medidas para salvaguardar a Festa do Divino de Paraty. Entre as medidas propostas pela comunidade paratiense estão a valorização da festa no calendário cultural da cidade; incentivo ao turismo religioso e melhoria nas condições de produção, reprodução e circulação do bem cultural. Também é necessário sensibilizar a todos para a importância da Festa do Divino como um evento sociocultural da cidade e não apenas de cunho religioso.

Fotografias e Legendas: Minha autoria, maio de 2016
Fonte:http://portal.iphan.gov.br/noticias/detalhes/652/festa-do-divino-de-paraty-%E2%80%93-rj-e-o-mais-novo-patrimonio-cultural-brasileiro