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GENTE DE MINHA GENTE
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Ubatuba antiga.(artesã de balaios, cestas e tipitis).
Dona Maria Sebastiana Lúcia de Abreu, com todo respeito "Sebastiana Arrepiada".
Curiosidades...
Na camisa o nome "UBATUBA".*
*Texto desta publicação de Charles de Ubatuba
Culturas e Herança dos saberes e fazeres de um povo.Resgate arqueológico, mítico e artístico da cultura caiçara e outros.
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terça-feira, 15 de janeiro de 2019
terça-feira, 21 de março de 2017
ASSEIO PESSOAL E CIÊNCIA NA FABRICAÇÃO DO SABÃO DE CINZAS DOS CAIÇARAS
Na vida contemporânea, ainda que seja longe dos grandes centros urbanos metropolitanos, a indústria da higiene e dos cosméticos lança no mercado consumidor de vilarejos, bairros e ilhas, toda sortidão de sabonetes em barra ou líquidos, de aromas tradicionais de glicerina e até exóticos como a jabuticaba ou cerejeira (Amburana Caerensis), que é aromática. A grande parte com preços acessíveis.
No entanto, a cultura caiçara e também dos grotões caipiras, era alijada dessas facilidades, tanto pela geografia quanto pela dificuldade de compra de importados, como era o caso do sabão do "reino", que vinha de Portugal, no século XIX.
Já nas fazendas mais abastadas, vinham sabonetes da França, guardados nos toucadores das "sinhás" e dos donos de engenho.
Técnicas que remontam aos povos tupinambás, mas também conhecidos pelos egípcios e outros povos antigos, repassados por tradição familiar oral, usam as cinzas da queima do fogão a lenha e banha de porco para fazer a liga.
O sabão de cinzas era multiuso: ariava panelas, lavava roupas e era usado nos raros banhos, quando de festas ou visitas importantes, como o padre, uma viagem ou a noiva.
Ainda viva no Estado de Minas Gerias e interiores da região Nordeste, além de raros povoados entre os caiçaras, as cinzas são então usadas para preparar a dicuada, uma lixívia de cinzas. Para
obterem-na Dona Rosa usa um “barde” e água, mas no modo tradicional usam
um balaio redondo feito com taquaras de bambu de tamanhos variados (50 a 100
litros, ou maior),ou tipiti de timbopeva, o qual é forrado internamente com folhas de bananeira antes de
colocarem as cinzas. As folhas funcionam como um filtro que retém a parte insolúvel
das cinzas e deixa atravessar a solução.
Chamam esse balaio de “barrilero”, que
também pode ser forrado com um saco de pano ao invés das folhas de bananeira,
tendo o mesmo efeito. Mas, como chegaram a este dispositivo? Como descobriram a
sua aplicação na produção desse sabão? Como perceberam a possibilidade de usarem
folhas de bananeira para reter a parte insolúvel e desnecessária das cinzas? As cinzas são compactadas no barrilero usando um soquete ou mesmo as mãos “pra
ficá bem socadinho”.
Caso contrário, se as cinzas não forem bem compactadas, se não
“enfiá ela bem na vasia”, deixar “bem socadinho”, se “pô a cinza lá só e pô a água”, a
dicuada “não sai tamém não”: “aquilo sai raliiiinho”, torna-se diluída, pouco
concentrada.
As cinzas usadas no preparo do sabão normalmente provêm de fogões e fornalhas a
lenha. A madeira sofre combustão nesses locais e o produto final remanescente é a
cinza. Sua composição depende do tipo de madeira utilizada. Comumente, cinzas de
plantas contêm compostos inorgânicos provenientes das plantas e pó de carvão
produzido na combustão.
Tais como a madeira da
Assa Peixe – Vernonia polyanthes Less, a palha do feijão – Phaseolus vulgaris, e a palha
do café – Coffea arábica.
Apesar das possibilidades de reaproveitamento da dicuada na forma de "um sal", o
sabão de cinzas raramente é preparado usando somente o resíduo remanescente de
sua secagem. O mais comum é usarem a lixívia de cinzas. Aí depois... aí
que "apura o sabão”.
Outro procedimento atestado das mulheres é o uso de água quente para obter a
dicuada. 
A água quente favorece a dissolução do carbonato de potássio, uma vez que
esta é endotérmica (DEAN, 1987). Ao ser dissolvida pela água, essa substância dissocia-se
e o ânion carbonato sofre hidrólise tornando a dicuada alcalina: O sebo provém da vaca ou do boi e a gordura ou torresmo do porco. São materiais
sólidos na temperatura de 25° Celsius. Ambos contêm triglicérides, como a triestearina
ou triestearato de glicerila, por exemplo, e pequena quantidade de ácidos graxos
livres.
A maior parte dos ácidos graxos encontra-se combinada nos triésteres, os quais
se decompõem em soluções aquosas alcalinas liberando ácidos do tipo mirístico,
palmítico, palmitoleico, margárico, esteárico, oleico e linoleico, que irão então reagir
com o carbonato de potássio presente na dicuada e produzir sabões.
O sebo de boi
normalmente contém maiores quantidades dos ácidos esteárico (octadecanóico),
palmítico (hexadecanóico) e oleico (octadec-9-enóico).
Fórmula típica de um triglicéride, onde R (cadeia de átomos de carbono) pode variar
Fórmula estrutural da triestearina
14
Ácido esteárico
Ácido oleico
Referência
DEAN, J. A (Ed.). Lange’s Handbook of Chemistry. 13. ed. New York, 1987, Tab. 10-2, p.
10-15.
Por tudo isso, o povo caiçara tinha asseio quimicamente estruturado, mesmo com matérias primas naturais.
E hoje, num mundo que sofre com a antropização acentuada, jogando nitritos em rios e mares, pelos esgotos...o sabão de cinzas é uma alternativa.
E hoje, num mundo que sofre com a antropização acentuada, jogando nitritos em rios e mares, pelos esgotos...o sabão de cinzas é uma alternativa.
Parte do texto:http://www.campusvirtual.ufsj.edu.br/mooc/ciencianacomunidade/wp-content/uploads/2015/07/As-mulheres-de-Minas-Gerais-e-o-sab%C3%A3o-de-cinzas.pdf e também figuras da internet
terça-feira, 29 de novembro de 2016
A TECNOLOGIA MILENAR DOS CAIÇARAS
O balaio de timbópeva
Os cestos, peneiras de taquaruçu, os balaios, samburás, tipiti de timbó peva eram produtos artesanais do dia a dia caiçara assim como o taquaruçu e a timbópeva; a caxeta também fazia parte do cotidiano caiçara, na confecção de colher de pau, tamancos , gamelas, remos . As cordas era feita de embira retirada das embaúbas desfiadas, sovadas e curtidas com aroeira e trançadas. Com isso podemos dizer que o Caiçara tem uma identidade artesanal muito grande.
As cortiças das redes era de cacheta, os pesos das redes “ chumbo” era usado pedras ou mesmo argila queimada e feita as furações para se colocar como peso tanto no cerco como no tresmalhos.
Para a pesca do camarão usava a puçá um tipo de rede feito de cordão cru com malhas pequenas . Tinha-se um arco com pesos nas pontas era puxados no lagamar por uma corda de embira de aproximadamente 5 metros, com agua até o joelho .
Os cestos, peneiras de taquaruçu, os balaios, samburás, tipiti de timbó peva eram produtos artesanais do dia a dia caiçara assim como o taquaruçu e a timbópeva; a caxeta também fazia parte do cotidiano caiçara, na confecção de colher de pau, tamancos , gamelas, remos . As cordas era feita de embira retirada das embaúbas desfiadas, sovadas e curtidas com aroeira e trançadas. Com isso podemos dizer que o Caiçara tem uma identidade artesanal muito grande.
As cortiças das redes era de cacheta, os pesos das redes “ chumbo” era usado pedras ou mesmo argila queimada e feita as furações para se colocar como peso tanto no cerco como no tresmalhos.
Para a pesca do camarão usava a puçá um tipo de rede feito de cordão cru com malhas pequenas . Tinha-se um arco com pesos nas pontas era puxados no lagamar por uma corda de embira de aproximadamente 5 metros, com agua até o joelho .
Assim se pescava o camarão.
Pedro Caetano
Caiçara
Pedro Caetano
Caiçara
A localização privilegiada do município de Paraty, inserido praticamente em sua totalidade em áreas de proteção ambiental, permite o acesso a todo o material natural necessário à realização de cestos e trançados.
A Mata Atlântica fornece vários tipos de fibras utilizados nos trabalhos de cestaria, como:
- Palmeiras de vários tipos como: juçara e guaricanga
- Capim sapê
- Taboas
- Taquara, bambu e entrecascas de árvores
Desde tempos remotos, antes da chegada dos europeus, os indígenas já teciam cestarias com estas fibras retiradas da mata.
As principais funções destes objetos eram a construção de moradias, uso na produção dos alimentos como o tipiti, que um cesto que retira o suco da mandioca, cestos para guardar e servir alimentos, transporte de diversas cargas, etc.
Hoje várias comunidades indígenas, quilombolas e caiçaras continuam tecendo e utilizando as cestarias da mesma forma tradicional. Mas, já foi também incorporado ao seus meio de subsistência, o trabalho artesanal voltado para o mercado turístico.
Peças antes criadas para o uso pessoal, agora são feitas também para a venda, com objetivo decorativo, transformando-se em importante fonte de renda para muitas famílias.
Em Paraty encontramos uma forte tradição de cestaria nas seguintes comunidades:
- Comunidade quilombola do Campinho da Independência
- Comunidade indígena de Araponga
- Comunidade caiçara da Praia do Sono
- Comunidade caiçara do Curupira
- Comunidade caiçara do Mamanguá
Obs:
FONTE DE CONSULTA: Livro Culturas de Fibra, da autora Patricia Solari
Marcadores:
Angra dos Reis,
artesanato,
Brazilian craftworks,
CAIÇARAS,
cestaria,
cipó timbó,
PARATY,
taquara,
timbopeva,
tipiti,
trançagem de palha
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