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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

EXPEDIÇÃO TÉCNICA E PASSEIO AO SÍTIO ARQUEOLÓGICO "CAMINHO DO CARAMUJO"

EXPEDIÇÃO  TÉCNICA E PASSEIO  AO SÍTIO ARQUEOLÓGICO "CAMINHO DO CARAMUJO"


Após um sábado de Confraternização  de Início  de Ano com nossa Reunião Mensal, cheia de carinho, caipirinhas paratienses e boas risadas...hoje foi o dia da Expedição  do IPHAR.
Fazendo parte de nossas pesquisas  para enriquecer nossos Estudos internos, nosso grupo faz incursões  na Mata Atlântica, sertões  do semiárido do Serido nordestino, cidades de Minas, SP e caminhos históricos  em trilhas.
Fomos na Serra D'agua, onde há  profundas marcas do tropeirismo, Império  brasileiro e escravidão.
No universo das práticas de comércio, vigilância e do poder estatal, estavam neste trecho envolvidos Alferes, Ordenanças e praças, além do Provedor da Casa dos Quintos.





Passagem pluvial subterrânea de quase 200 anos,
em plena função, atravessando a estrada.

Alferes (Alpheres),
reconstituição de vestimentas :Carlos Eduardo.

A colona era conhecedora de armamentos,
cavalaria e herbário.



Em todas as atividades
do IPHAR há estudo ,mas lazer.






Além  da equipe do IPHAR (Maria Célia, Valnei e Agnes), tivemos a sempre grata e bem vinda presença de visitantes e turistas, a Família  Esteves Costa (Manu, Ester e Henrique) e o nosso turista do norte fluminense Rodrigo Santos.
Vencemos as caudalosas e frescas águas  dos córregos, penhascos limosos (com vistas maravilhosas), e trilhas de lama. Mas tanto a visão  do Véu  de Noiva quanto da obra arquitetônica do século  XVIII/XIX reconfortam o esforço!
Em 2017, levamos o renomado arqueólogo, egiptólogo e ativista cultural, Cláudio Prado de Melo, a arqueóloga Vivian(de Quissamã) e a Museóloga Lucimar Muniz (Angra/Ouro Preto), que atestaram a longevidade e a grande obra arquitetônica ineditamente pesquisada por nós. Pioneiros!
Caminho antigo, de épocas pré coloniais e estudos mostram a presença pré cerâmica dia povos Sambaquis entre 2000 a datações de até 8000 a.P., este trecho tem seu piso feito em meados do segundo quarto do século XIX (auge da exploração cafeicultora).
Porém, temos provas documentais de sua existência oficial no período setecentista com sua infraestrutura estatal de Guarda, Pouso e Registro.

Cenas do File A Missão, de 1986, de Rolland Joffé
mostra um Regimento português









Parabéns  a todos os companheiros e um especial abraço às  crianças!!
Nosso amigo Valnei, ainda fez uma açãoconcreta ecológica,recolhendo lixos, plásticos, garrafas pet, etc . São  trazidos por enxurradas que vem da rodovia...
Como lazer, um revigorante mergulho no poção  natural.
Fizemos as medições  historiográficas, tomada de fotos e georreferenciamento analógico  e por satélite. É  construção  pujante que sim, demonstra a passagem de centenas de escravizados, com seus corpos usados em minas de pedra para o lavradio, mãos  machucadas para assento do piso e provavelmente muitas mortes por picadas de serpentes, acidentes e doenças  tropicais,  numa brutalidade e violência  a serviço  do capital cafeicultor,produzindo no período  riquezas e poder, enormes casarões com requintada decoração européia , igrejas douradas e sinhás com tecidos caros...mas também, o engenho, o heroísmo  de um momento civilizatorio e a grandiosidade do povo angrense.
Terminamos com almoço  patrocinado pelo Presidente e banho de bicão no restaurante Águas  Lindas.
Em breve mais uma visita técnica, dos nossos Departamentos Deaccqi e do Dabrap!
Vem conosco!


sexta-feira, 13 de abril de 2018

ARQUEOLOGIA:JAZIDA ARQUEOLÓGICA MARINHA EM ANGRA DOS REIS

DESCOBERTA!
Nosso instituto está empreendendo pesquisas  numa jazida arqueológica em Angra dos Reis. Fazendo parte tanto de uma região de engenho e cafeicultura nos séc.  XVIII / XIX , quanto rota de importação/exportação  de diversas manufaturas desde o século XVI.
Esses são resultados preliminares.

 🏛📚ARTIGO📚🏛

TESOUROS EM CACOS

1- INTRODUÇÃO
Sei que é um assunto ignorado pelos brasileiros em geral. Mas os atuantes nos assuntos arqueológicos, historiográficos, etc sabem que - sem cair na autovalorização factóidica - ainda se pode entender os processos produtivos e seus materiais químicos, as relações sociais e econômicas de uma civilização local, com base nas análises da manufatura do objeto estudado.
Diante de um lítico préhistórico, de uma porcelana craqueada e outros longínquos indícios esparsados de um modus vivendi, os pesquisadores conseguem datar  o período em que a peça era usada, a forma dentro do cotidiano que servia e rastrear o local de fabricação.

2-INSTITUIÇÃO ENTRA EM AÇÃO
O IPHAR, como Instituto de pesquisa arqueológica e histórica, recebe de populares espontaneidade em diversos materiais antigos. Sem incentivar a retirada e fazendo um trabalho de conscientização com viés científico- educativo, não podemos condenar essa "curiosidade" popular e também é totalmente indiferente deixar a peça  sem coleta,  desses testemunhos nas praias, pois Angra dos Reis é região muito antiga, tendo desde sítios arqueológicos do Período Neolítico , era das grandes navegações do século XVI e o ciclo da cana e do café.

Nossas ações vão muito além da recolha, pois tais jazidas naturais sofrem com vandalismos e destruição pelo turismo superexplorado do dito day use e portanto, não se pode falar em "manter o sujeito arqueológico no cenário original", o que seria uma inocência por parte dos pesquisadores da nossa instituição. Retira-lo, catalogar e estudar o caco, a parte, pode trazer a tona e à vida personagens, histórias e relações humanas esquecidas nas profundezas do mar. É resguardar o patrimônio.

3-SABEDORIA CAIÇARA
Assim, nós caiçaras sabemos que sempre após as ressacas ou "marões" , a areia é revirada pelas marés fortes e chega naturalmente nas praias os cacos de fainças, porcelanas e às vezes(mais raramente), até cerâmicas Tupinambás , Guayanases e outros povos.

4- RIOS RETROALIMENTAM AS JAZIDAS
Importa ressaltar que muitas desses fragmentos de argila, vitrificados, porosos ou não e stoneaware, são provenientes das enxurradas dos grandes rios que desaguam na Baía da Ilha Grande, nas desembocaduras dos caudalisos Jurumirim, Japuhyba, Mambucaba e Caputera, regiões hidrográficas que tiveram grande movimentação de tropeiros, portos de pedra /trapiches e de exportação, pousos, trocas comerciais, engenhos de cachaça e estradas coloniais que singlavam as escarpas tropicais da Mata Atlântica desde o ciclo aurífero , das gemas preciosas e com auge nas  monocultura do Coffea arabica.

Carlos Eduardo Caiçara
Presidente do IPHAR
Angra dos Reis, 09 de abril de 2018

Imagem:fotografia de uma fainça , com chinesice; provavelmente final do século XVIII e meados do séc. XIX. Acervo do IPHAR.