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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

🐟🧺⛵👒 EXPEDIÇÃO UBATUBA, RAÍZES CAIÇARAS 3:🧡Museu Histórico de Ubatuba e a guia Claudinha


🧡Museu Histórico de Ubatuba e a guia Claudinha

Para encerrar o sábado, fomos ao Museu de Ubatuba, na antiga Cadeia. Dentro da perspectiva de uso de prédios simbólicos do status qui, o acervo está instalado em algumas salas, que ainda preservam inclusive as grades das celas...

Foi uma visita apaixonante, porque a contadora de histórias Claudinha (permita-nos chama-la assim), nos abre um portal extra temporal, e nos leva numa viagem desde 7 mil anos com os povos Sambaquis até a atualidade.











Na verdade ela é uma performer: faz personagens reais do século XIX e XX, inclusive, porque assume sua contemporaneidade com alguns dos heróis, lideranças e atores sociais e culturais de sua convivência...e mesmo os não convivido, ela introjeta fatos e constrói uma narrativa.

O museu precisa urgente de reformas, principalmente o telhado, que está jorrando água aí chover e inunda parte de uma ala...prejudicando as visitas e o pior, afetando as peças expostas.





Mas a riqueza material é grande. Tem peças históricas desde a Idade da Pedra, passando por Titilho  Matarazzo até meados dia anos 1970.

Uma noite memorável!

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

🌐🌐🌐 R.O.M.-SET/OUT: REUNIÃO MENSAL ORDINÁRIA


Nossa Reunião conjunta Setembro/Outubro transcorreu produtiva e leve.

Iniciamos com a Palavra do Presidente de incentivo. Após, o regimental toque do M'araka.

 Fomos  às Notícias, onde ficamos a par dos informes sobre o patrimônio cultural regional e geral.
Tiramos sugestões e andamentos.


Agnes aproveitou e montou um dinossauro , o Stegossauro, entre 155 e 148 milhões de anos atrás, no oeste dos Estados Unidos e em Portugal.
Forte do Leme

Nos Departamentos tiramos metas para o DEACCQI e o DF(Dep. Financ.).
Fizemos um café reforçado no intervalo e após, contamos os causos caiçaras:"O caçador incrédulo"(na minha família por gerações), "O fantasma assombrado", lá da região da Biscaia e a "A sopa de pedra", do livro Histórias da Ilha Grande.
Todos estórias com gostinho típico e angrenses!

Após, nos Estudos, entramos numa outra época, de piratas, fortes militares e construções coloniais da linda Ponta Leste, em Angra.
Um conhecimento inédito!
Já no 2° Estudo, nos aprifundamos o livro do alemão que esteve por estas terras entre os Tupinambás, no século XVI e 
estudamos o objeto indígena histórico, chamado M'araka ou maracá, como conhecido hoje em dia.
Muito legal!

Uma tarde alegre, divertida e cheia de Cultura!

Grato a Angélica, Valnei, Agnes e Maria Célia.

Carlos Eduardo da Silva

Pres. IPHAR
Prof. Lic. His.
Antropologia Forense.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

VISITA AO SÍTIO ARQUEOLÓGICO DO ARIRÓ





⚜️🌐⚱️
VISITA AO SÍTIO ARQUEOLÓGICO DA VILA DO ARIRÓ.
⚜️🌐⚱️

1💠
RESUMO

Neste sábado (08/06), fomos visitar a capela Nsa. Sra. da Lapa, no bairro Ariró, as margens da BR101, -22,9095082, -44,3311449, onde assistimos a Missa com a Comunidade local e fui as ruínas ao lado da capela. Ainda voltaremos para visita técnica. 

2💠 
HISTÓRICO REGIONAL

Citada a primeira vez em  1557, quando o alemão Hans Staden, publica seu livro "Viagem ao Brasil", no Capítulo 28, do Livro I,contando como ficou prisioneiro entre os Tamoios/Tupinambás, citando que o grande Morubixaba(líder) nativo Cunhambebe tinha sua principal maloca. Hans chama ,na sua interpretação literal e auditiva do que ouviu entre os indígenas de "Arirab".





Porém, é do século XVII,mas principalmente da segunda metade do séc. XVIII ao XIX que a região do Ariró e Bracuhy se destaca como principal porto de escoamento e cabotagem de todo a colônia e Império do Brasil .


Os caminhos antigos são mapeados e cortam as montanhas de florestas tropicais e escuros vales entre penhascos da Mata Atlântica, levando e trazendo escravos, tropeiros(inclusive meu bisavô Seu Gito/Hermegisto), animais de corte(suínos, galináceos...), índios idosos, tecidos, peixe, quinquilharias diversas, café, cachaça, ouro e pedras preciosas.

O porto da área da foz do Rio Jurumirim se torna um expoente comercial, incentivando inclusive os fazendeiros com apoio governamental, a refazerem as trilhas e implantarem técnicas de arquitetura pesada e engenharia construtiva, com colocação de estrado de pedra e estradas largas e até pedágio/escritório fiscal e Guardas .

Vai-se escalés, caíques e cutteres carregados de gente e coisas, pelo Rio Jurumirim e Ariró.

Diversas fazendas de café e cana, outros engenhos e capelas iam se espalhando.

🛑Ali especificamente havia a sede de uma fazenda até às primeiras décadas do século XX.
Fazenda dos  padres carmelitas


3💠
DESCRIÇÃO GERAL DAS CONSTRUÇÕES MEGA.

A sede atual da capela parece ser moderna, provavelmente da primeira metade do século XX (anos 50/60 ou até mais), tendo ampliação nos anos 2000, com acréscimo de uma Capela do Santíssimo, banheiro e Sacristia ao lado direito (mesmo lado das ruínas)e do lado esquerdo, um Salão Paroquial (reuniões, festas etc).


Entretanto , o perímetro de interesse arqueológico se constitui em um terreno contíguo a capela, com aproximadamente 25m/frente X 40m de lado, tendo apenas 3 paredões ainda eretos, sendo dois com 6m de distância entre eles e um mais afastado com também uns 5-6m (conforme esboço em anexo), sendo no método construtivo de cangicado, embora com muitas rachaduras, vãos feitos por árvores e aparentemente pouco indício de revestimento de embolso, mormente de conceitos com liga, provavelmente de óleo de baleia, o que remete a lapso temporal muito antigo.

Tanto a capela contemporânea quanto essas paredes, estão numa espécie de platô, carecendo ainda de mais estudos para saber se natural ou artificial. A igreja moderna está voltada para o centro do vilarejo( NE) mas os paredões , por não sabermos a entrada do recinto, não temos exato a direção.

🔹3.1-PAREDÕES:

Trata-se de técnica construtiva com montagem de grandes blocos graníticos variáveis com média entre 100cm x 20cm e o restante da parede com argamassa simples de barro e pedras menores na modalidade cangicado.





Essas muralhas tem em torno de 60cm de profundidade, 200 a 250cm de base e altura de uns 6-8 m. 

Não detectei trabalho de cantaria.

Há potencial de jazida arqueológica.

🔹3.2- ALTAR -MOR E SUA TALHA:

De madeira, mas talvez base de argamassa, tem manufatura pictórica nos tons azul, branco e dourado.

O estilo é da tipologia barroco /rococó, de boa rebusquez, aparentando ser de alguma outra capela rural mais antiga . Entretanto não podemos ainda afirmar serem as muralhas do sítio arqueológico os resquícios de uma construção de uso religioso.

Este retábulo apresenta requinte nos elementos formais de arte, com duas colunas da ordem coríntia mesclada com dórica, colunas essas, caneladas, encimadas com misulas e no topo do altar, um resplendor mariano.

Possui trono e nicho central, além da mesa do altar.

4💠 
PERCEPÇÃO ANTROPOLÓGICA

Eu conheço essa Comunidade Católica e essa região geográfica há mais de 25 anos. São muito participativos e alegres .

Mas alguns destaques são importantes:

🔹4.1-MUSICALIDADE:

Um dos detalhes mais bucólicos é que eles usam a sanfona como complemento aos violões, durante o culto divino, dando uma sonoridade  típica. Aliás, há muito tempo não vejo um povo tão alegre , cantante e participativo.

Foram acolhedores desde nossa chegada e parecia que éramos moradores há décadas.

🔹4.2- ORGANIZAÇÃO:

Desde as indumentárias ritualísticas da liturgia, da divisão espacial a própria manutenção, tudo é muito bem feito.

É uma capela rural, sem altares laterais, mas as luminárias por exemplo são lustres ao estilo colonial.

💠5
 EPÍLOGO

Foi uma experiência pastoril, inclusive porque o crepúsculo outonal estava com o céu totalmente azul, com nuvens laranjas ...dando um aspecto de comunhão entre as cores do altar e as cores da natureza.

Ao longe, o imponente Pico do Frade com uma auréola alaranjada completava o cenário .

Pesquisei algumas fontes bibliográficas para tentar coletar mais informações historiográficas, como o livreto do Projeto Memória e História, dos anos 2000, feito pela Secretaria Munic. Educação, com textos, entrevistas e desenhos de alunos da rede de vários bairros, mas não achei sobre o Ariró.

Enfim, um local de antiga presença humana, que merece pesquisa mais aprofundada.

Carlos Eduardo

08/06/19














quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

ROM-Reunião Ordinária Mensal de Dezembro: Comemorando vitórias!

👑📚🌭📆👥
REUNIÃO  ORDINÁRIA  MENSAL DO IPHAR: CELEBRANDO A VITÓRIA!
Hoje foi a última  Reunião  do ano . Iniciamos traçando  as metas institucionais e uma breve avaliação  entre avanços  e revezes, o que, dada a maravilha das vitórias, foi de consenso que foi positivo. Houve purgações durante o ano.
As folhas secas caíram  mas dando lugar e energia para novos brotos!
É  a PRIMAVERA CAIÇARA.
Tomamos decisões importantes e agendamentos.
Já  nos Estudos profundos, analisamos o ambiente barroco de Mambucaba, a influência  proto cristã  na arte sacra de N. Sra. do Rosário  e simbologia com o tropeirismo e as navegações como pano  de fundo. Informações inéditas.











Já  o segundo Estudo mergulhamos nos símbolos- padrão  dos altares barrocos e do Rococó, sua confluência  estilística com o jesuitismo regional e o estudo de caso foi o altar mor e sua talha do Convento São  Bernardino de Sena, em Angra.

Terminamos com o toque do M'raka, invocando nossa ancestralidade.

GRATIDÃO  A TODOS QUE ESTIVERAM CONOSCO.
ESPERANÇA  DE NOVOS AMIGOS EM 2019!

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

O NOME DE MAMBUCABA, EM ANGRA

O NOME "MAMBUCABA"
Há muita polêmica sobre a origem do nome da localidade de Angra dos Reis, situada na fronteira com Paraty.
Konianbebe ou Cunhambebe, liderança 
 Citada desde 1556, no livro de Hans Staden, alemão  armeiro que esteve prisioneiro entre os Tupinambás  (Tamuya/Tamoios), essa região  foi muito desenvolvida a ponto de ter uma estrada pavimentada por escravos, que ligava o litoral ao Vale do Paraíba  e interiores. Estrada essa que é  um feito de engenharia moderno para a época, inclusive com drenagem. Teve sua origem em trilhas pré cabralinas.
Alguns estudiosos, atribuem seu nome a abelha sem ferrão, Mombuca (Geotrigona mombuca)...típica melífera brasileira, de personalidade mansa, pretinha. 
Mas não  é!
Moquem:canibalismo ritualistico?

Geograficamente, as mombuca não  vivem no Rio de Janeiro, embora tenha em São  Paulo e é  possível  que houvesse em Mambucaba mas por anomalia migratória. 

Clique aqui e conheça:

Esse erro provém  da interpretação literal da palavra. Na verdade, uma análise do tronco linguístico  Tupi, nos remete etimologicamente a prefixalidade morfológica da palavra "Mambukabe"(Staden): 

Mbucabelha  / qualquer espécie, generalização
Aba: homem; gente.

Os indígenas  viam a forma de linguajar gutural (fechada dos portugueses), os barulhos e vestimentas dos europeus como um enxame ruidoso, por isso os chamavam "homens -abelha".
Há  muitos anos eu pesquiso esses termos da semântica  indígena. É  indubitável.




Foz do Rio ,
onde provavelmente
 nas proximidades era a taba
dos Tamoios de Mambucaba.

Altar mor da Igreja
 de Nossa Senhora do Rosário ,
com a imagem do século  XVI !